Caboclos da Amazônia

Exposição de arquitetura, design e música reproduz paisagem afetiva da região.

04/05/2022 13:35
Caboclos da Amazônia

O assoalho alto para fugir da maré cheia, o colorido das salas, o carrinho de raspa-raspa passando na rua, a atmosfera dos bares de beira de estrada com as músicas marcantes e as frases desenhadas em embarcações que cortam os rios. Todos esses elementos juntos compõem parte da paisagem única que a floresta amazônica abriga e que será retratada na exposição “Caboclos da Amazônia – Arquitetura, Design, Música”, programada para começar em maio, em Belém, e depois seguir para as cidades de Marabá e Canaã dos Carajás. 


A exposição foi idealizada pelo designer Carlos Alcantarino. Paraense radicado no Rio de Janeiro há cerca de quarenta anos, ele reuniu suas impressões sobre a Amazônia ao percorrer cidades do Marajó, como Afuá, e a ilha do Combu, em Belém. A ideia é mostrar que a arquitetura estranha aos padrões do sul tem uma identidade própria perceptível em vários elementos.  

A expectativa é que os paraenses se vejam nos cenários, sendo despertados para sensações que, muitas vezes, se perdem na rotina do dia a dia. O próprio Alcantarino revela que se deu conta do quanto a arquitetura e as demais formas de representação da cultura amazônica são únicas, ao sair do Pará. “Esse povo criou intuitivamente uma cultura local, com soluções criativas, tanto na arquitetura totalmente integrada na natureza, como nos objetos do dia a dia, assando desapercebido por nós paraenses”, observa.

“Eu ia muito a Belém para visitar minha família ou a trabalho. Comecei a andar pelo Combú e a ficar fascinado pela arquitetura. Quando você sai de um lugar e volta, a maneira de olhar muda. Antes, o que para mim era uma coisa normal passou a ser interessante. Ao andar pelo Ver-o-Peso, por exemplo, ver as barracas das erveiras, já achava lindo, mas passei a achar também interessante. Me pareciam lindas instalações coloridas e olfativas”, conta.

Para Alcantarino, “a exposição é esse novo olhar sobre as coisas corriqueiras, comuns que a gente tem no Pará que é a arquitetura natural do caboclo, o design natural do povo mais simples. Acho que tem uma estética e cultura muito interessantes. Intuitivamente, criaram toda uma arquitetura local, no design e na música também. O Pará tem uma cultura muito rica”. 


Basílica – O circuito será aberto no dia 20 de maio, em Belém, em tenda montada especialmente para o evento, no estacionamento ao lado da Basílica Santuário. Com área de 20 metros quadrados, o local foi escolhido por ser considerado um ícone da cultura paraense representada pelo Círio de Nazaré.

A tenda abrigará oito salas, onde estarão distribuídas cerca de 400 peças. No hall, as folhas espalhadas no chão, o som de bichos e as pinturas da parede simularão o clima da floresta. Na sala das letras, será possível conhecer um pouco mais do trabalho dos “abridores de letras” como são chamados os pintores de embarcações esmerados em caprichar na pintura de frases.

Nas salas de arquitetura e interiores, as fotos tiradas nas ilhas do Marajó e do Combú remeterão às cores fortes das casas caboclas e arquitetura única. Na sala objetos, estarão elementos do cotidiano amazônico apresentados em forma de instalações, como os “papagaios” empinados nos céus de Belém.

Música – Alcantarino também vai apresentar a trilha sonora que embala essa cultura. Ritmos diversos como carimbó, guitarrada e festa de aparelhagem estarão presentes, onde os criadores apresentam um pouco o caminho para chegar nesses sons tão familiar para nós

Escola – Como parte do projeto, será feita parceria com algumas escolas para que os estudantes da rede pública visitem a exposição, uma forma de fomentar a criação de plateia nos museus, galerias e demais espaços. Haverá visita guiada, com palestra do arquiteto Alexandre Siqueira.

 

Serviço – Exposição “Caboclos da Amazônia – Arquitetura, Design, Música”.

Abertura – 20 de maio, às 16h, no estacionamento do Centro Social de Nazaré, ao lado Basílica Santuário, em Belém (PA).

Visitação – De terça-feira a domingo, das 16h às 22h.

Cidades do circuito itinerante – Belém, Marabá e Canaã dos Carajás.

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