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Produtos amazônicos conquistam espaço no mercado internacional

O crescente interesse do mercado internacional por produtos amazônicos tem se consolidado como uma oportunidade real para pequenos e médios empreendedores da Amazônia, especialmente no Pará. Produtos como açaí e castanha-do-Pará, ganham espaço em mercados internacionais impulsionados pela valorização da sustentabilidade, da rastreabilidade e da origem.

Em entrevista ao Portal LiV, a especialista em Comércio Exterior, mestre em Desenvolvimento Local na Amazônia e idealizadora da Nauan, empresa amazônica conectada ao mercado global de produtos sustentáveis, Lucélia Guedes falou sobre o potencial dos produtos paraenses e o quanto é importante que os empreendedores saibam como dialogar diretamente com as exigências do comércio internacional contemporâneo. 



Lucélia Guedes, especialista em Comércio Exterior (Foto: Leonardo Lima / Portal LiV)

“A gente tem um universo muito grande de produtos. A gente tem um potencial imenso, a gente tem insumos, tem história, tem sustentabilidade. Tudo isso a gente tem nos produtos amazônicos. Se a gente for olhar para os nossos superalimentos, hoje o mundo demanda isso”, afirma Lucélia.

Historicamente associado à exportação de commodities, como minérios e soja, o Pará começa a ampliar seu protagonismo com produtos de maior valor agregado, especialmente os oriundos de pequenas e médias empresas. Segundo Lucélia, além de parceiros tradicionais como China e Estados Unidos, outros mercados vêm se mostrando estratégicos. 

“A gente tem grandes parceiros comerciais como China e Estados Unidos, mas também uma demanda de produtos paraenses pela Europa, pelo Japão e, especificamente quando a gente fala de produtos verticalizados, é importante olhar para o mercado americano, onde a exportação de açaí tem tido grande destaque.”

Amado pelos paraenses, o açaí ganhou espaço mundo afora, mas também há destaque para outros insumos amazônicos. “O açaí, como polpa, como suco de fruta, como sorbet, tem tido destaque. Além disso, a gente tem trabalhado muito fortemente os óleos amazônicos, o cacau, os cosméticos produzidos a partir de insumos amazônicos, o artesanato e as biojoias”, afirma.

Mas como se destacar no mercado internacional? 

Lucélia explica que para que os produtos amazônicos se destaquem nesse ambiente competitivo, a comunicação da origem e dos valores envolvidos na produção se torna decisiva. “A marca Amazônia é uma marca muito forte, reconhecida mundialmente, e precisa estar estampada em quem produz na Amazônia. Muitas vezes o produto é sustentável, mas isso não aparece na comunicação”, observa.

Nesse sentido, iniciativas como o Selo Amazônia são vistas como estratégicas. “O selo vai certificar empresas que produzem na Amazônia, considerando conservação e sustentabilidade. Isso fala muito com o mercado internacional”, explica. A embalagem também exerce papel central. “Quando você está em um supermercado em Dubai ou no Catar, com 20 tipos de chocolate, você precisa ter algo que chame a atenção. Não é apenas um chocolate, é um chocolate da Amazônia.”

Apesar dos avanços, desafios estruturais e logísticos ainda impactam a competitividade dos produtos paraenses. O custo de frete, a distância entre polos produtores e portos e a dificuldade de acesso a embalagens com preço competitivo são entraves recorrentes. “Muitas vezes o produto precisa descer para outros estados para ser exportado, o que encarece o preço final e torna ele menos competitivo”, pontua Lucélia Guedes.

Outro obstáculo está no desconhecimento dos empresários sobre os processos de exportação. “Não exportar muitas vezes é por falta de conhecimento, porque a oportunidade existe. Qualquer produto precisa de uma regulamentação técnica no Brasil, seja pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Anvisa ou Inmetro, e depois o empresário precisa definir os mercados que quer atuar para se preparar para as exigências específicas”, orienta.

A estratégia, segundo ela, deve ser gradual. “A gente sempre orienta a não chegar querendo quatro ou cinco mercados de uma vez. Começa com um ou dois e trabalha as certificações exigidas, como FDA para os Estados Unidos ou halal para o mercado árabe.”

Para Lucélia, a principal mudança dos últimos anos está na mentalidade empresarial. “Antigamente as pessoas achavam que era muito difícil exportar e não enxergavam o mercado internacional como uma possibilidade. Hoje existe uma mudança clara. Existe uma oportunidade real para os produtos paraenses, uma oportunidade a nível mundial.”

Mais do que vender para fora, o movimento representa uma forma de posicionar o Pará como território de valor no comércio internacional. “O mundo valoriza quem produz na Amazônia, quem gera emprego na Amazônia e quem conserva a Amazônia. O empresário que se prepara consegue acessar inúmeros mercados, porque a demanda existe”, conclui.