Os preços dos imóveis têm colocado Belém em evidência nos últimos levantamentos sobre o mercado imobiliário brasileiro. Com bairros que já ultrapassam R$ 13 mil por metro quadrado, a capital paraense vive um momento de valorização que reflete transformações no setor e na própria dinâmica urbana da cidade.
Em entrevista à LiV, o sócio gestor da Broker Soluções Imobiliárias, Fabrício de Menezes, falou sobre esse cenário e a combinação de fatores que ajudam a explicar tais resultados.
“Essa percepção [de que Belém está ficando mais cara] acaba acontecendo porque a gente tem hoje um aumento do custo da mão de obra e dos materiais para obras, para execução de obras. Tomar crédito no Brasil está mais caro, então o dinheiro está mais caro. A logística para Belém também tem um frete mais caro em termos nacionais e isso impacta diretamente no custo final da obra. Sem contar que Belém tem algumas especificidades: a grande escassez de terrenos para construção de empreendimentos”, afirma Fabrício.

Outro fator está na própria dinâmica dos terrenos em áreas centrais de Belém. Muitas dessas propriedades são antigas casas familiares, que passaram por diferentes gerações e hoje pertencem a mais de um herdeiro. Para o especialista, essa característica também pode impactar o valor das negociações e, consequentemente, o preço final dos novos empreendimentos.
Uma cidade em transformação

A valorização dos imóveis também acompanha mudanças no comportamento dos consumidores. Segundo Fabrício, o perfil do consumidor também ajuda a explicar esse movimento.
“Hoje o público está mais exigente, a cidade quer morar melhor e estar em regiões cada vez mais estruturadas, inclusive do ponto de vista comercial. E tudo isso tem um custo, que acaba valorizando o imóvel”, afirma.
Esse movimento não está restrito aos bairros tradicionalmente mais valorizados. Para o especialista, o mercado tem apresentado aquecimento em diferentes regiões da cidade, com novos empreendimentos surgindo também fora do eixo mais central.
“Os bairros têm características muito específicas do tipo de morador, do tipo de trânsito de pessoas, do tipo comercial. E aqui em Belém, a gente está tendo um movimento da centralização para a periferia [periferia no sentido de ser periférico, não de estrutura econômica], e isso está causando um grande investimento na cidade toda. A gente tem vários empreendimentos de qualidade sendo lançados, vendidos e entregues no Marco, na Pedreira, Augusto Montenegro, não só o Umarizal, Batista Campos e Fátima, por exemplo. Então toda a cidade está com o mercado aquecido”, analisa Fabrício.
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Geração Z: um novo perfil de comprador
Outra transformação aparece entre os consumidores mais jovens. A expectativa de que a Geração Z deixaria de comprar imóveis não se confirmou, segundo Fabrício.
Esse público continua interessado em adquirir e investir em imóveis, mas busca produtos alinhados a novas formas de morar. Condomínios modernos, áreas compartilhadas e ambientes que oferecem mais conforto ganham espaço, enquanto apartamentos muito grandes e até vagas de garagem podem deixar de ser prioridade.
“Acreditava-se que a Geração Z não compraria imóveis, mas estamos vendo um movimento diferente. Esse público quer investir, quer ter seu lugar para morar, só que com especificidades diferentes”, afirma.
Para o especialista, entender essas novas demandas será cada vez mais importante para o mercado imobiliário. “A gente precisa estar muito atento à forma de atender essa demanda criada por esse público”, completa.
Um mercado em movimento
Em um cenário de valorização, as oportunidades variam de acordo com a localização, o perfil do empreendimento e o momento da compra. Para Fabrício, porém, é preciso ter responsabilidade ao usar termos como “oportunidade” e “exclusividade”, frequentemente banalizados no mercado.
“Com certeza existem boas oportunidades no mercado para quem pensa em comprar um imóvel hoje. A gente tem que tomar muito cuidado quando falamos sobre oportunidade e exclusividade, palavras que às vezes são banalizadas no mercado”, afirma.
Outro fator importante, segundo ele, é o momento da compra. “O grande diferencial na compra do imóvel é realmente no fechamento do negócio, não é na venda. Quando a gente junta, de fato, a necessidade do cliente ao produto, aí vira uma oportunidade. O centro é o cliente, não o produto”, destaca.
Sobre os próximos anos, o especialista vê o mercado imobiliário de Belém em uma trajetória de crescimento, impulsionada pelas transformações e pelos investimentos na cidade.
“Eu vejo que a gente está em uma ascendência no nosso mercado de Belém. Os investimentos na nossa cidade, na infraestrutura, estão todos evoluindo”, afirma.
Para ele, essas mudanças também influenciam o comportamento dos consumidores e a dinâmica do setor. “Quando a gente organiza a cidade, estrutura a cidade, todo o ambiente conduz a gente, morador aqui de Belém, a estar sempre melhor, sempre cuidando da cidade e querendo mais. Eu estou vendo as construtoras entregando coisas boas e os clientes querendo cada vez coisas melhores”, finaliza Fabrício.
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