A expansão do comércio eletrônico está redesenhando também o mapa da infraestrutura logística brasileira. Com operações cada vez maiores e a necessidade de reduzir o tempo entre o pedido e a entrega, grandes varejistas disputam espaços em condomínios logísticos espalhados pelo país. Nesse movimento, Mercado Livre e Shopee aparecem na liderança entre os maiores ocupantes, somando mais de 4,1 milhões de metros quadrados locados.
Segundo dados do Market Analytics da SiiLA enviados à Forbes, o Mercado Livre ocupa cerca de 2,98 milhões de m² em condomínios logísticos no Brasil, enquanto a Shopee soma 1,14 milhão de m². Na sequência aparece a Amazon, com 685 mil m². O primeiro grupo brasileiro do ranking é o Magazine Luiza, com 517 mil m² locados.
A concentração entre os grandes players do comércio eletrônico acompanha a expansão de segmentos ligados à operação de entregas. Entre as principais categorias monitoradas pela SiiLA estão Transporte e Logística e Digital Fulfillment, que concentram grandes volumes de espaços ocupados.
Demanda por espaços continua aquecida
A disputa por galpões deve continuar nos próximos meses. Segundo o levantamento, Mercado Livre e Shopee já possuem, juntas, 1,1 milhão de m² pré-locados para o segundo semestre de 2026.
A expectativa é que, considerando 80% da entrega projetada, a vacância nacional dos condomínios logísticos encerre o ano entre 6% e 7%. No segundo trimestre de 2026, a taxa de vacância dos empreendimentos das classes A+, A e B havia chegado a 4,42%, abaixo dos 6,05% registrados no trimestre anterior.
O estoque nacional monitorado pela SiiLA alcançou 30,45 milhões de m², em um cenário no qual a demanda avança em ritmo superior à entrada de novos espaços.
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Segundo Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, a absorção líquida permanece elevada, enquanto a produção de novos estoques não acompanha a mesma velocidade, criando um desequilíbrio entre oferta e ocupação.
Digital fulfillment ganha espaço
Um dos movimentos que ajudam a explicar essa pressão é o crescimento do digital fulfillment, segmento diretamente relacionado às operações do comércio eletrônico.
Entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, o segmento cresceu cerca de 50% em metragem ocupada. Atualmente, são 5,94 milhões de m² ocupados, com vacância de 4,42%.
Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre deste ano, o digital fulfillment registrou 1,35 milhão de m² de absorção líquida, mais que o dobro dos 593 mil m² registrados pelo segmento de Transporte e Logística.
No mesmo período, a absorção líquida de todo o mercado brasileiro chegou a 3,28 milhões de m². Na absorção bruta, Transporte e Logística somou 1,47 milhão de m², enquanto Digital Fulfillment alcançou 1,41 milhão de m².
