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As exportações da China disparam, colocando seu superávit comercial no caminho para um recorde

As exportações da China avançaram 36,3% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, e atingiram US$ 447,2 bilhões, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas do país divulgados nesta semana. O desempenho levou o superávit comercial chinês a US$ 133,5 bilhões, um dos maiores resultados mensais já registrados, e reforçou a perspectiva de que o país asiático ultrapasse novamente a marca de US$ 1 trilhão de saldo positivo no comércio exterior em 2026.

O crescimento foi impulsionado pela demanda internacional por produtos manufaturados, com destaque para semicondutores, equipamentos de processamento de dados, veículos e tecnologias associadas à transição energética. As exportações chinesas de semicondutores cresceram 108,1% em valor na comparação anual, enquanto as vendas externas de automóveis avançaram mais de 50%, segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas. O resultado também foi favorecido pela antecipação de embarques antes do feriado da Semana Dourada, tradicional período de celebrações no país.

As importações chinesas também aumentaram, com alta de 31% em setembro, mas permaneceram abaixo do valor exportado. O desequilíbrio reflete, entre outros fatores, a força da indústria voltada ao mercado internacional e a demanda doméstica ainda enfraquecida. A desaceleração do consumo, a crise prolongada do setor imobiliário e a expansão da capacidade industrial nacional ajudam a explicar por que o país continua vendendo muito ao exterior sem registrar um avanço equivalente nas compras de produtos estrangeiros.

O avanço das exportações também intensifica as tensões comerciais. Na Europa, o aumento da presença de veículos chineses preocupa fabricantes locais e alimenta discussões sobre medidas de proteção à indústria regional. O volume crescente de produtos chineses, combinado à competitividade dos preços, amplia a pressão sobre empresas de outros países e mantém em evidência o debate sobre subsídios industriais, barreiras comerciais e desequilíbrios nas relações de comércio internacional.

Brasil também amplia as vendas externas

No Brasil, as exportações somaram US$ 34,42 bilhões em setembro, crescimento de 12,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, cujas vendas externas cresceram 39,8%, para US$ 9,44 bilhões. A indústria de transformação avançou 5,3%, enquanto a agropecuária registrou alta de 4,8%.

Apesar do crescimento, a escala e a composição das exportações brasileiras diferem das chinesas. Enquanto a China se destaca pela capacidade de fornecer grandes volumes de bens industriais e tecnológicos, o Brasil mantém uma pauta exportadora na qual produtos agropecuários, minerais e industriais têm participação relevante. Em setembro, o país registrou superávit comercial de US$ 7,74 bilhões, resultado da diferença entre US$ 34,42 bilhões em exportações e US$ 26,68 bilhões em importações.

*Foto: Tim Wu · Wikimedia Commons