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Ana Cecília e Patrícia Matos apresentam arquitetura afetiva que conecta raízes paraenses e contemporaneidade na CASALIV

Uma casa pode permanecer na memória muito depois de deixarmos de habitá-la. Às vezes, o que fica não é a lembrança de um cômodo específico, mas a cor de uma parede, a textura de um móvel, a sensação de estar entre pessoas conhecidas ou a maneira como os materiais compunham aquele espaço. É desse território afetivo que nasce o Living Origem, ambiente da CASALIV concebido a partir das lembranças da casa dos pais das arquitetas.

A proposta não é reproduzir literalmente uma residência do passado. O desafio está em transformar essas referências em uma linguagem contemporânea, capaz de preservar a dimensão emocional da memória sem abrir mão das exigências atuais de conforto, funcionalidade e composição estética.

Para isso, o projeto articula materiais naturais, uma paleta de cores inspirada na terra e referências da cultura paraense, com destaque para as tradições artísticas marajoara e tapajônica. A pedra, a madeira, os tecidos e o papel de parede no teto desempenham funções distintas, mas complementares, na construção da identidade visual.

O resultado é um living em que a regionalidade não aparece como uma camada aplicada à decoração. Ela participa da escolha dos materiais, da atmosfera e da relação entre as superfícies. A memória familiar funciona como fundamento conceitual, enquanto a arquitetura organiza esses elementos em uma composição atual.

A casa como origem do projeto

O ponto de partida do Living Origem é a relação entre espaço e memória. A casa dos pais das arquitetas representa uma referência afetiva que ultrapassa sua configuração física: remete a experiências, vínculos e sensações associadas à vida familiar.

Na arquitetura de interiores, essa abordagem permite trabalhar com algo que não pode ser reduzido à aparência dos objetos. Uma cor pode evocar determinada atmosfera; a madeira pode remeter a ambientes familiares; uma textura pode tornar a experiência de permanência mais tátil e próxima. São associações subjetivas, mas que influenciam a maneira como as pessoas percebem e se relacionam com os espaços.

O projeto leva essa dimensão afetiva para um living contemporâneo. Em vez de reconstruir uma casa antiga ou recorrer a uma estética nostálgica, combina materiais e referências que preservam a ideia de origem sem impedir a atualização da linguagem.

Essa distinção é importante. Um ambiente inspirado em memórias não precisa reproduzir móveis, cores ou estilos de uma época específica. Pode recuperar princípios mais profundos da experiência doméstica, como acolhimento, familiaridade e convivência, e traduzi-los por meio de recursos atuais.

A identidade paraense além dos símbolos


A cultura paraense também participa do conceito. As arquitetas apontam como referências as tradições artísticas marajoara e tapajônica, reconhecidas por suas produções cerâmicas e por seus repertórios visuais próprios. O Museu Paraense Emílio Goeldi reúne pesquisas sobre essas tradições, enquanto o Museu Nacional destaca a complexidade da cerâmica marajoara e de sua iconografia, marcada por composições de formas, simetrias e padrões com significados culturais.

Essas referências ajudam a situar o ambiente em uma história cultural que antecede as linguagens contemporâneas de arquitetura e design. Sua presença, porém, exige cuidado na interpretação. As tradições marajoara e tapajônica não são repertórios intercambiáveis nem se resumem a grafismos decorativos: estão ligadas a contextos históricos e culturais específicos.

Terracota, madeira e pedra: o equilíbrio da matéria

A paleta do Living Origem reúne tons terrosos e amadeirados, com o terracota aplicado às paredes. A escolha estabelece uma ligação visual com as cores da terra e cria uma base quente para os demais materiais.

Do ponto de vista da percepção, as cores não atuam isoladamente. Sua aparência depende da iluminação, das superfícies próximas e dos contrastes presentes na composição. Um terracota mais fechado, por exemplo, pode adquirir profundidade sob luz suave e apresentar maior intensidade quando recebe iluminação direta. O acabamento também interfere na leitura: superfícies foscas tendem a produzir reflexos menos evidentes do que acabamentos brilhantes, favorecendo uma percepção mais uniforme da cor.

No ambiente, o terracota contribui para aproximar visualmente as paredes das referências naturais que orientam o conceito. Em vez de funcionar apenas como pano de fundo, ele participa da construção da atmosfera e estabelece uma relação cromática com a madeira e os tecidos.

A pedra introduz outra qualidade. Sua presença mais marcante acrescenta peso visual e contraste à composição, enquanto a madeira oferece continuidade cromática e uma leitura mais calorosa. Os tecidos, por sua vez, ajudam a suavizar a relação entre as superfícies e acrescentam variedade tátil.

Essa combinação trabalha com diferentes escalas de textura. A pedra tende a chamar a atenção pela presença e pelas particularidades de sua superfície; a madeira acrescenta veios e variações de tonalidade; os tecidos introduzem uma dimensão mais macia. Quando articulados, esses materiais evitam que o espaço dependa apenas da cor para construir interesse visual.

O equilíbrio nasce justamente da diferença entre eles. A pedra não precisa ser suavizada ou escondida: sua força é compensada pela madeira e pelos tecidos, que tornam a composição mais acolhedora.

O teto como parte da experiência

Uma das decisões mais particulares do Living Origem é a aplicação de papel de parede no teto. Tradicionalmente, essa superfície costuma receber menos atenção do que as paredes e o mobiliário, embora ocupe uma área importante do campo visual de quem permanece em um ambiente.

Ao incorporar um padrão associado à natureza, o projeto amplia a composição para além do plano vertical. O teto passa a participar da leitura do living e cria uma relação entre as superfícies que envolvem o visitante.

Essa estratégia pode alterar a percepção do espaço. Um desenho no teto acrescenta informação visual em uma área normalmente neutra e pode reforçar a unidade entre materiais, cores e elementos decorativos. Dependendo da escala e do contraste do padrão, também pode assumir maior protagonismo ou atuar de maneira mais discreta. Por isso, a relação com as paredes e o mobiliário é decisiva para que a composição mantenha equilíbrio.

No Living Origem, a referência à natureza se conecta à paleta terrosa e à presença da madeira e da pedra. A intenção é fazer com que o visitante perceba o ambiente como um conjunto, em vez de identificar cada superfície como um elemento independente.

A solução também acrescenta uma camada à experiência de permanência: o olhar não se limita à altura dos olhos ou aos objetos dispostos ao redor. O teto participa da narrativa e reforça a continuidade visual do projeto.

Iluminação para revelar texturas

A iluminação completa a relação entre os materiais. Além de garantir visibilidade, ela influencia a percepção das cores, dos relevos e das diferenças entre superfícies. A mesma pedra pode parecer mais plana sob uma luz difusa ou ganhar profundidade quando a incidência luminosa evidencia suas irregularidades.

Em projetos de interiores, a iluminação direcionada pode reforçar contrastes de luz e sombra e tornar mais perceptíveis as texturas. Já uma distribuição difusa tende a produzir uma leitura mais homogênea, reduzindo a intensidade desses contrastes. A escolha depende do efeito pretendido e das características de cada material.

No Living Origem, a iluminação é descrita como um recurso para valorizar as composições e revelar as texturas. Essa função é especialmente relevante em um ambiente cuja identidade depende do diálogo entre pedra, madeira, tecidos e paredes em terracota.

A luz, nesse contexto, não precisa disputar atenção com os materiais. Seu papel é permitir que cada um revele suas características e que o conjunto mantenha unidade. A percepção do espaço resulta da interação entre cor, superfície e iluminação, e não apenas da escolha individual de acabamentos.

SOBRE AS PROFISSIONAIS

Ana Cecília Lima

Arquiteta e urbanista formada pela Universidade da Amazônia — UNAMA, há 29 anos, Ana Cecília Lima desenvolve projetos de arquitetura e interiores que aliam sofisticação, funcionalidade e conforto. Sua atuação abrange projetos residenciais, comerciais e urbanos, além de gerenciamento e acompanhamento de obras, compatibilização e consultoria técnica.

Sócia-proprietária do Escritório Ana Cecília Lima Arquitetura., em Belém, possui pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UNAMA e formação em perícia judicial e avaliação de imóveis. Com projetos pelo Brasil todo, cursos na Espanha, participou de cinco edições da Casa Cor Pará. Atuou também como arquiteta consultora em infraestrutura e interiores nos espaços da COP30 em Belém-Pa.

Seu trabalho valoriza ambientes contemporâneos, acolhedores e atemporais, com atenção à identidade de cada projeto e às necessidades de seus usuários. Na CASALIV, assina o Living Origens em parceria com a arquiteta Patrícia Matos.


Patrícia Matos

Arquiteta e urbanista, Formada pela Universidade da Amazônia -UNAMA , com mais de 31 anos de trajetória profissional e com projetos em Belém e por todo Brasil . Sócia da Empresa P&C Projetos e Construções Ltda. Patrícia Matos é especialista em Construções Sustentáveis e tem na Arquitetura de Interiores uma de suas grandes paixões . Teve participação em cinco edições da Casa Cor Pará e com várias premiações. Participação como palestrante em eventos voltados para arquitetura, interiores e tendências do setor, compartilhando conhecimentos e experiências profissionais. Premiada em vários anos consecutivos em núcleos de decoração como Club&Casa e Único, consolidando uma atuação marcada pela sofisticação , funcionalidade, sensibilidade e compromisso com excelência.

Desenvolve projetos residenciais, comerciais e de interiores, acompanhando de perto cada etapa, da concepção à execução, com dedicação à qualidade, à confiança e à realização dos sonhos de seus clientes.

Com uma visão humanizada da arquitetura, acredita que projetar vai muito além de criar espaços: é transformar ambientes em lugares que traduzem histórias, acolhem pessoas e proporcionam experiências de bem-estar.


Apresentação da dupla

Ana Cecília Lima e Patrícia Matos assinam o Living Origens, um ambiente que aproxima arquitetura contemporânea, referências paraenses e memórias afetivas. A proposta reúne o olhar das duas profissionais em torno de uma ideia comum: criar um espaço de convivência em que conforto, identidade e pertencimento participem da experiência de morar.


FORNECEDORES

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  • MAURA JARDINS (91) 99100-0202 @maurajardinsbelem

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