O Pará terá dois novos representantes no Senado a partir de 2027: Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União Brasil). A eleição deste domingo (4) renovou duas das três cadeiras do Estado na Casa — a terceira continua ocupada por Beto Faro (PT), eleito em 2022 e com mandato até 2031.
A votação também produziu um resultado particular para Helder. Depois de oito anos no comando do Pará, o político deixa o Palácio dos Despachos para assumir um mandato de oito anos no Senado. Foi ainda o candidato mais votado da disputa, com 26,10% dos votos válidos, pouco mais de 2,3 milhões de votos.
A trajetória política de Helder começou em 2000, quando foi eleito vereador de Ananindeua. Em 2004, chegou à prefeitura da cidade e foi reeleito em 2008. Depois, passou pelo governo federal durante as gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer, ocupando os ministérios da Pesca e Aquicultura, dos Portos e da Integração Nacional, respectivamente.
Em 2018, foi eleito governador do Pará e, quatro anos depois, conseguiu a reeleição no primeiro turno, com 70,41% dos votos. Deixou o cargo em abril de 2026 para disputar o Senado, sendo substituído pela então vice-governadora Hana Ghassan, que acabou derrotada por Dr. Daniel na eleição para o governo estadual.
A derrota de Hana impediu o grupo de Helder Barbalho de manter o governo do Estado, mas não significou uma derrota completa nas urnas. Ao lado da própria eleição para o Senado, Helder conseguiu eleger Chicão, seu antigo aliado político, para a segunda cadeira.
A virada de Chicão

A disputa pela segunda vaga foi uma das mais apertadas da eleição para o Senado no país. Durante boa parte da apuração, Delegado Éder Mauro (PL) aparecia à frente de Chicão. A situação mudou nos momentos finais, quando o deputado estadual conseguiu ultrapassar o candidato Bolsonarista e confirmar a eleição.
Com 100% das urnas apuradas, Chicão terminou com 22,45% dos votos válidos, contra 22,26% de Éder Mauro. A diferença foi de apenas 16.641 votos.
Nascido em Cruzeiro do Sul (AC), em 1961, Francisco das Chagas Silva Melo Filho, o Chicão, chegou ao Pará ainda adolescente. Sua trajetória política também começou em Ananindeua: foi vereador pela primeira vez em 1992 e presidiu a Câmara Municipal por três vezes. Em 2004, foi eleito vice-prefeito na chapa de Helder Barbalho.
Em 2006, elegeu-se deputado estadual e, desde então, construiu uma longa carreira na Assembleia Legislativa do Pará. Ocupou secretarias estaduais, foi líder do governo Helder na Alepa e, em 2021, assumiu a presidência da Assembleia, cargo para o qual foi reconduzido sucessivamente.
A eleição de 2026 leva para Brasília uma dupla com uma história política construída em conjunto desde Ananindeua. Helder e Chicão fizeram campanha lado a lado e chegam ao Senado para ocupar as cadeiras que pertenciam a Jader Barbalho (MDB), pai de Helder, e Zequinha Marinho (Podemos).
