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Reggaetown leva reggae amazônico pelo Brasil em turnê e prepara álbum duplo

O reggae amazônico feito em Belém ganha as estradas do Brasil a partir desta quinta-feira, 27 de agosto. A Reggaetown inicia em Fortaleza (CE) uma nova turnê nacional que passará por Ceará, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Piauí, entre apresentações próprias e participações em festivais. A circulação marca também uma nova fase autoral da banda paraense, que prepara um álbum duplo de músicas inéditas.


O som que deixa Belém nessa turnê ajuda a contar uma história que vai além da trajetória de uma única banda. A música produzida no Pará é marcada por encontros e reinvenções, em uma paisagem na qual diferentes ritmos circulam, se misturam e ganham características próprias. Carimbó, guitarrada, brega, tecnomelody e reggae são algumas das sonoridades que convivem nesse território musical.


Na Reggaetown, esse processo aparece em um reggae atravessado por referências do brega, carimbó e guitarrada, além da cumbia, MPB, hip hop, samba e rock. É uma mistura construída a partir da própria experiência dos integrantes com a música ouvida em Belém.


Reggae com sotaque de Belém

A Reggaetown surgiu em 2010, quando Bruno Rodriguez e Lelo decidiram criar um projeto mais próximo de suas referências musicais. Hoje, a banda é formada por Bruno Rodriguez, nos vocais; Lelo, no baixo; Julian, na bateria; e Adria, na guitarra, além de Augusto, no staff.

Abanda paraense Rggaetown mistura várias influências da música latina, regional, nacional e internacional para formar seu som característico. (Foto: Divulgação)

Bruno cresceu entre a Cidade Velha e o Jurunas, em uma região onde diferentes gêneros fazem parte do cotidiano e ajudaram a formar o repertório musical que mais tarde seria levado para a banda.


“O reggae sempre foi a nossa cultura, junto com os ritmos regionais daqui. A gente cresceu ali na fronteira da Cidade Velha com o Jurunas, onde a musicalidade é muito forte. Desde a cumbia, o brega, o melody, o reggae, o rock. Crescemos ouvindo nossos pais, amigos mais velhos ouvindo esses estilos musicais e que naturalmente viraram nossa referência”, conta Bruno.


É desse encontro que surge o que a banda identifica como um sotaque latino-amazônico. O reggae funciona como base, mas recebe as marcas da paisagem sonora paraense, uma característica que aproxima a trajetória do grupo de uma música local historicamente marcada pela capacidade de dialogar com influências externas e transformá-las a partir de referências próprias.


Das redes para outros palcos do Brasil


A expansão da Reggaetown para fora do Pará ganhou impulso também nas redes sociais. A banda começou a publicar versões em reggae de músicas de diferentes gêneros e alcançou novos públicos depois que algumas das releituras chegaram aos próprios artistas.

Uma versão de Chico Buarque foi compartilhada pelo cantor e compositor. Mais tarde, uma releitura do System of a Down também foi repostada pelo baixista do grupo, fazendo o trabalho dos paraenses alcançar audiências fora do Brasil.


“A gente fazia as versões ao vivo, mas nossos amigos de outras cidades ficavam pedindo para a gente filmar e mandar para eles. Foi aí que tivemos a ideia de fazer uma versão por semana e postar nas redes sociais. Até que um dia o Chico Buarque repostou uma versão que fizemos da música dele, aí começou a ir para outros públicos pelo Brasil. E quando fizemos uma versão da música do System of a Down, o baixista repostou, aí a banda alcançou outros públicos ao redor do mundo”, relembra Bruno.


Desde 2022, o grupo realiza turnês por diferentes regiões do país. Na circulação deste ano, integra também festivais como o Vix Festival, em Vitória, e o Fyah Festival, em Brasília, dividindo programação com nomes nacionais e internacionais do reggae, entre eles Israel Vibration, Mato Seco, Ponto de Equilíbrio, Cidade Verde, Alma Djem e Filosofia Reggae.


“Cada turnê é sempre um sonho de moleque se realizando. Todo músico sonha com esse acontecimento. Sair de Belém, poder estar presente com grandes nomes da cena nacional e mundial, para a gente é algo incrível”, afirma Bruno.


Nova fase aposta na produção autoral


A visibilidade conquistada pelas versões também passou a ser usada como caminho para apresentar as composições próprias da Reggaetown. Agora, essa produção ganha um novo capítulo com um álbum duplo, atualmente em fase de mixagem e masterização.


Um dos trabalhos segue uma linha próxima ao new roots, cruzando reggae, rap e dub. O outro aposta em uma atmosfera mais leve e romântica, definida por Bruno como uma pegada de “reggae cachoeira”. Algumas das músicas inéditas já serão apresentadas durante a turnê. O projeto terá participações de Cidade Verde Sounds, Regiane Araújo, Dudu Urband e Pump Killa e dá continuidade a uma produção autoral iniciada ainda nos primeiros anos da banda.


Aos 16 anos de trajetória, a Reggaetown chega à nova circulação levando consigo algo que está na própria formação da música paraense: a capacidade de receber diferentes influências, misturá-las às referências locais e construir a partir delas uma sonoridade própria. O reggae pode ter nascido longe da Amazônia, mas, quando parte de Belém para outros palcos do país, já carrega outro sotaque.


Serviço | Turnê nacional Reggaetown 2026


27/08 – Fortaleza (CE) – Kaza Cumbuco

28/08 – Canoa Quebrada (CE) – Freedom Bar

29/08 – Vitória (ES) – Vix Festival

30/08 – Brasília (DF) – Fyah Festival

05/09 – Niterói (RJ) – Espaço Juruna

06/09 – Rio de Janeiro (RJ) – Havana 59, Lapa

09/09 – Jericoacoara (CE) – Los Lokos

10/09 – Preá (CE) – Dune Music

11/09 – Icaraizinho (CE) – Sunset Icaraizinho

12/09 – Timon (PI)

13/09 – Parnaíba (PI) – Casarão Mi Reggae