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"...menos a Luiza, que..."

Na última semana, a rede virtual que atravessa o Brasil direcionou seus holofotes para uma personagem inusitada: Luiza, uma garota de apenas 17 anos, que estava fazendo intercâmbio em outro país, foi a protagonista do ‘meme’ que se proliferou pelas redes sociais e virou assunto em milhares de rodas de conversa. De repente, o comentário – para qualquer assunto – era uníssono: “menos a Luiza, que está no Canadá”.  A repetição desenfreada da frase trouxe à tona a discussão sobre os efeitos da internet nas relações pessoais e nos veículos de comunicação.

A HISTÓRIA

Tudo começou quando o pai da jovem Luiza, o colunista social paraibano Geraldo Rebello, participou do último comercial de uma construtora, em João Pessoa. De família influente na região, Rebello reuniu sua esposa e dois de seus três filhos para participar das gravações - menos uma pessoa – a filha que estava passando um período no Canadá. Para esclarecer a ausência da menina, os produtores sugeriram que o jornalista explicasse no vídeo o paradeiro de Luiza. Quando o comercial chegou ao canal do YouTube, o que era para ser uma menção despretensiosa transformou o comercial em hit instantâneo.

Após 10 dias do boom inicial, o vídeo continua bastante acessado – mas já saiu do pico de audiência - e Luiza, que teve que voltar às pressas para o Brasil, já participou de um novo comercial da construtora, além de ter sido convidada por diversas empresas para estrelar outras campanhas. Em entrevista cedida ao canal G1, o pai da menina mostrou-se preocupado com a repercussão inesperada do comercial, mas também não se furtou de aproveitar os efeitos do sucesso... Ele mesmo chegou a “estrelar” outra campanha publicitária – agora para uma empresa de telefonia.

OS EFEITOS

Para o diretor-sócio da agência Madre Comunicadores, o publicitário Glauco Lima, o vídeo da Luiza é um recorte de um fenômeno cada vez mais comum na sociedade contemporânea. Ele ressalta, entretanto, que alguns cuidados são necessários.  “A internet é um grande canal que a publicidade tem mesmo que se apropriar. Porém, há de se considerar que se trata de uma plataforma fluida; não há fórmula certa para o sucesso. Ou seja, pode ser que uma ideia dê certo, mas pode ser que não. Acredito que o que determina isso seja uma conjuntura de fatores, que representa uma nova onda comportamental. E ainda é preciso considerar a efemeridade deste meio”, analisa.

Segundo Glauco Lima, a exposição da marca paraibana associada ao vídeo teve efeitos positivos e negativos.  “É lógico que uma ação espontânea tão massiva como esta traz bons resultados, como a divulgação da marca para todo o país, por exemplo. Mas esta repercussão tão abrangente também faz com que, de uma forma em geral, o nome da empresa se repita muito, causando até mesmo certo desconforto”, considera o profissional.

Entre prós e contras, os famosos ‘memes’ se mostram irredutíveis e se alastram na rede como virais. Sobre o assunto, Glauco sentencia: “Não há saída, temos que compreender que as empresas devem estar preparadas para esse tipo de divulgação e saber colher os frutos desse fenômeno. Mas é necessário entender também que nem todos os grupos sociais estão por dentro dos assuntos mais comentados na internet.  A publicidade tem que saber agir por todos os caminhos”.

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