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A vida até parece uma festa

Muito mais que uma festa, assim pode ser definida a Meachuta!, movimento que representa o espírito de uma geração que impressiona ao quebrar preconceitos e transcender estereótipos. Para entender melhor a trajetória, voltemos ao ano de 2008, quando cinco amigos, cansados do marasmo da noite paraense, resolveram montar o coletivo Meachuta! que tinha como único objetivo trazer opções inusitadas de programas aos que buscavam diversão nos finais de semana.

A proposta descontraída ganhou fama e público cativo ao longo destes quatro anos. Se na primeira festa organizada pelo coletivo compareceram pouco mais de cem pessoas, na última, realizada no último dia 28 de janeiro, mil e quinhentos (!!!) corpos agitados se empolgaram ao som da  mais nova sensação da música pop brasileira, a banda UÓ - trio goiano que brinca com as sonoridades do tecnobrega.

Para entender um pouco mais do percurso deste grupo que meteoricamente se transformou em uma das maiores produtoras de festas da capital paraense, a reportagem do site da RLM conversou com um de seus integrantes. Maurício Vianna é o único que está no coletivo desde sua fundação e participou ativamente da organização das 53 festas já realizadas. Nesta entrevista, ele fala sobre a ascensão da Meachuta!, a ideologia que cerca o coletivo e a repercussão nacional que o grupo tem conseguido alcançar. Confira:

SRLM: A Meachuta! já está na ativa desde 2008. Quando vocês começaram, imaginavam que chegaria a tais proporções?
Maurício Vianna: Não, nem sonhávamos! Começamos a fazer festas porque frequentávamos a noite e estávamos cansados de ir sempre para os mesmo lugares. Na época, alguns grupos já faziam festas, mas eram mais voltadas para o público que se interessa especificamente por rock. A gente queria trazer outros ritmos para uma festa - tanto o rock, sem abrir mão do pop e do eletrônico também. Então quando começamos, sem saber muito no que ia dar, só tínhamos em mente fazer algo que fosse novidade na cidade.

SRLM: Você lembra bem como foi a estreia do coletivo?  Como foi a experiência de produzir uma festa pela primeira vez?
MV: Desde a primeira vez já buscávamos fazer algo diferente. Tanto que nossa estreia foi em uma boate gay. Ficamos com medo dessa ideia, porque nem imaginávamos como uma festa nossa se comportaria em um lugar tão inusitado. Foi uma experiência incrível! Não tínhamos dinheiro e não sabíamos quase nada de produção, então tivemos que nos virar mesmo. Ficamos torcendo para conseguir pelo menos que o número de pagantes cobrisse nossos poucos custos e no final das contas, conseguimos reunir um público de cem pessoas - o que era muito mais do que esperávamos! (risos) E aí a festa foi girando...

SRLM: A ideia de coletivo pressupõe uma rotatividade de pessoas. Como isso acontece na Meachuta?!?
MV: Quando começamos, erámos cinco amigos. Eu, Yuri Santos, Rodrigo Barbosa, Gil Yonezawa e Raffael Regis. Dessa formação original, apenas eu continuo no grupo. Mas, na verdade, sempre contamos com muitos parceiros, tanto que hoje além do grupo que está sempre trabalhando nas festas da Meachuta!, temos também a ajuda de frequentadores e amigos. A Meachuta! tem essa característica mesmo, de agregar pessoas.

SRLM: As festa da Meachuta! são conhecidas por serem antenadas com as tendências do universo pop. Como é que vocês formulam as temáticas de cada edição?
MV: Nós pesquisamos bastante, estamos sempre à procura de novidades. Na verdade, tudo isso acontece em um processo bem natural, porque pertencemos a este universo, então tudo chega a nós sem que precisemos nos esforçar muito. Estes signos e elementos nos cercam no dia-a-dia, na internet e nas relações pessoais mesmo. A gente busca sempre algo divertido, que brinque com as discussões do momento. Também fazemos festas tradicionais, só que com outra roupagem. O carnaval é um bom exemplo. Este ano queremos trazer um trio elétrico para nossa festa.

SRLM: Recentemente vocês tiveram projeção nacional, pela MTV (canal TV). Como está sendo a repercussão disso?
MV: Está sendo muito legal! Nós participamos do programa "It MTV", comandado pela paraense Carol Ribeiro, e alguns coletivos de outros lugares do país já entraram em contato conosco, até mesmo pensando em fazer parcerias. Isso é ótimo, pois significa que estamos sendo respeitados e reconhecidos pelo que fazemos.

SRLM: Quais foram as atrações mais marcantes que a Meachuta! trouxe para Belém?
MV: Nossa, são tantas! Nós já fizemos 53 festas em 34 diferentes casas de Belém. Já tivemos atrações de diversos lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Algumas das atrações de destaque foram a Banda Uó, a Luiza Lovefoxxx, vocalista da banda "Cansei de Ser Sexy" e a blogueira Katylene, além de grandes nomes da cena local como Gaby Amarantos e Gang do Eletro.
 
SRLM: Vocês são conhecidos por sempre reformularem os conceitos do coletivo. O que podemos esperar da Meachuta! em 2012?

MV: Estamos bem focados na festa de aniversário do coletivo, que deve acontecer no segundo semestre deste ano. A ideia é fazer bem mais do que uma festa, e sim um festival, com diversas atrações. Queremos continuar surpreendendo e fazer aquilo que gostamos: colocar todo mundo para dançar na pista.

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Twitter: @meachuta

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