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Beleza Minimalista

Traços delicados, quase infantis, que carregam consigo uma nostalgia que invade a alma, e acalma. O atual trabalho da artista visual Keyla Sobral impressiona pela sutileza condensada em desenhos pequeninos, mas profundos. "Fundamentalmente eu percebo que o mínimo pode ser muito", diz sobre suas duas últimas séries expostas, a "Mínimo.Múltiplo.Incomum", de 2010, e a "Lá Fora É Bem Melhor Do que Aqui Dentro", aberta à visitação na Casa das 11 Janelas.

Se agora experimenta em pequenos formatos é porque seu ímpeto criativo a trouxe até este ponto. Keyla já fez trabalhos em vídeo, como o registro da intervenção "Tempos", de 2004, e também invadiu a Alemanha com uma intervenção resultante de uma bolsa no exterior de Pesquisa e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará, que levou para uma galeria de Kunsthaus desenhos digitais gigantescos, em 2006. No ano seguinte, voltou a surpreender ao vender seus sentimentos em um site de compra na internet.

Uma artista que se revela plural em técnicas e conceitos, mas com um trabalho singular, por ser potente e lúdico. Neste papo, Keyla fala sobre seu processo criativo e a multiplicidade de um trabalho que não deixa nenhum espectador indiferente aos seus efeitos.

Site Revista Leal Moreira:Você lembra qual foi o momento em que a arte se relevou na sua vida?
Keyla Sobral:Então, eu desenho desde criança. Aos 5 anos eu já estava desenhando. Mas, como meus pais não eram ligados à arte, não davam tanta importância para isso. Foi quando meu tio, Acácio Sobral, que é considerado um dos grandes expoentes da arte no Pará, começou a perceber que eu gostava desse universo e começou a conversar comigo sobre Artes, em geral. Desde que eu me entendo por gente, gosto de Cinema, Teatro, Fotografia, Artes Plásticas. Foi fácil entender que aquilo tudo me chamava mais atenção do que qualquer outra coisa. Deixei que acontecesse naturalmente.

SRLM: Você se apropria de diversas técnicas - desenho, fotografia, vídeo - em seu trabalho. Essa "pluralidade" te traz mais possibilidades de expressão?  Como essa relação técnica x processo criativo se traduz na sua trajetória?
KS: Realmente, essa questão da pluralidade influencia diretamente no meu trabalho. Eu sempre desenhei, mas as outras técnicas vieram por um desejo enorme de me expressar por diversos meios. Gosto de estar em vários projetos ao mesmo tempo, sinto essa necessidade de ser plural. Ora estou num projeto coletivo, ora não. Depende do momento. Têm épocas que estou mais querendo trabalhar sozinha, eu tento sempre seguir minha intuição.

SRLM:O teu trabalho ora tem efeito estrondoso - como o caso do exposto na Alemanha -, ora se mostra mais sutil, como os desenhos das suas últimas exposições. O que essa variação física, de tamanho mesmo, significa?
KS:É uma boa pergunta! (risos). Acho que todos os meus projetos têm esse caráter estrondoso, tem, digamos, uma potência, assim acredito. Revela uma potência. Porque mesmo em minúsculos traços e linhas, eles têm esse alcance maior. Acho que fundamentalmente eu percebo que o mínimo também pode ser muito

SRLM:Quais foram as exposições mais importantes na tua trajetória?
KS:Já participei de exposições bem legais como a do "Projeto Tripé Jambu", no Sesc Pompéia, em São Paulo. Na Alemanha, levei uma intervenção bem interessante, resultado da Bolsa de Pesquisa do IAP. Também posso dizer que gostei muito do convite da artista e curadora Patrícia Gouvea, para integrar (com desenho) uma exposição de fotografia chamada "Tempo Futuro/Futuro do Tempo", no Ateliê da Imagem Espaço Cultura, no Rio de Janeiro. Minhas duas últimas exposições individuais também representam bem meu trabalho. Também foi marcante minha participação no Salão do Arte Pará, do qual já participo desde 2002, e no qual fui premiada em 2005 (2º Grande Prêmio) e dm 2011 (Prêmio Aquisição). A última exposição que fiz foi a Coletivo/Individual no CCBEU, em Janeiro de 2012.


SRLM:Você essencialmente desenvolve seu trabalho aqui, na sua terra natal, mas consegue fazer com que o seu trabalho transite por galerias do país. Quais são os principais desafios em trabalhar com arte na região amazônica?
KS:Eu acho que já foi mais complicado. As coisas estão melhorando aos poucos, sabe...? A gente vê que os curadores têm mais interesse em saber o que está acontecendo por aqui, por exemplo. Mas, essa questão de mercado ainda é difícil, principalmente no que diz respeito aos espaços de cultura e exposição, que ainda são escassos. Mas, eu realmente me sinto tranquila em relação a isso. Meu interesse está em viver em trânsito, conhecer outros lugares e pessoas, carregando dentro de mim meu ateliê nômade.

SRLM: Estás trabalhando em algum novo projeto? Quais são os próximos passos?
KS:Bom, eu sou editora de uma revista digital de arte que é a "Não-Lugar" (www.naolugar.com.br) e vamos lançar finalmente a número 4! Em Março estarei na exposição coletiva "O Triunfo do Contemporâneo" no MACRS (Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul), com curadoria de Gaudêncio Fidelis. Tem também a minha individual no Rio de Janeiro, em Julho. E fora isso, sempre estou produzindo algo, não consigo parar.

Twitter: @keylasobral

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