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É preciso marketar

Uma empresa faz estudos e constata: a dona de casa, além de fazer um enorme esforço para lavar o chão, ainda tem que fazer outro para encerar este mesmo chão. A partir disto, a decisão é chamar seus químicos e outros técnicos para desenvolver um produto que limpe e ao mesmo tempo dê brilho. E mais, usa tecnologias para que este produto tenha preço acessível e desenvolve um sistema de distribuição para este produto ser encontrado facilmente em todos os supermercados e mercearias. Esta empresa está fazendo marketing. Está sendo marketeira, no melhor sentido da expressão.

A forma como todo este trabalho é comunicado, que pode ser um filme na TV com mulheres sorridentes usando o tempo para fazer atividades mais prazerosas, é apenas a ponta do iceberg de um grande esforço de mercado. Como todos podem concordar, o marketing feito assim, preocupado em oferecer soluções honestas e criativas que conquistem e mantenham clientes, é uma atividade de grande valor para a sociedade por todos os desdobramentos positivos que gera. Entretanto o que existe cada vez mais nos nossos tempos é uma distorção da expressão “marketing”, percebida crescentemente como engodo, jogo de cena, conversa fiada ou presepada para aparecer.

É comum a gente ouvir coisas do tipo “este político está fazendo marketing”, que bom seria se todos os políticos fizessem marketing mesmo. Seria sensacional ver mais políticos buscando soluções criativas para os problemas da sociedade, fazendo obras, criando novos serviços e criando leis que facilitassem a vida das pessoas. Soluções com custo menor, acessíveis para a grande maioria e sem ruins efeitos colaterais. A sociedade precisa ler anúncios, ver comerciais de TV ou placas na rua, anunciando um novo avanço, a superação de dificuldades, algo diferente para melhor. A população precisa deste marketing e destes marketeiros.

Esta confusão que se faz hoje em dia entre marketing e presepada, acaba prejudicando uma atividade decisiva para os avanços econômicos, sociais e ambientais. A ideia de marketing está cada vez mais associada à propaganda, quando na verdade a base do marketing, toda sua consistência está no produto ou serviços e no investimento em recursos humanos. Os publicitários são mais vistos como criativos do que os verdadeiros criativos desta história, o empreendedor que cria um produto diferente, um serviço diferenciado, algo antenado com o seu tempo, que vem para atender anseios e por vezes surpreender o consumidor. Sem produto criativo, sem um diferencial, sem uma verdade comovente, não existe marketing, não existe propaganda criativa. Quem faz propaganda que não parte de um produto de verdade, não está fazendo marketing, está fazendo conversa fiada.

A chamada mídia está cheia de distorções que afastam as pessoas do entendimento do verdadeiro marketing. Artistas quando fazem exigências absurdas em seus camarins são acusados de estar fazendo marketing. Isso não é marketing. É exigência absurda. O artista faz marketing quando trabalha num produto cultural, quando sua criação transmite uma visão de mundo que consegue arrebatar paixões. Isso é marketing. Exigir travesseiros com penas de ganso alimentados com ervas do Gabão,  é capricho ou exotismo charmoso para obter visibilidade. O mesmo vale para outras celebridades, como jogadores de futebol, para os quais o marketing mesmo é jogar bem e conquistar títulos, posar com loiras seminuas é tudo, menos marketing.

O Brasil e principalmente a Amazônia precisam de marketing. Gente inventiva, inovadora, com ousadia empresarial e social. Precisamos de médicos que façam marketing, professores, cientistas, empresários, engenheiros, industriais, cozinheiros, gente que observe a vida e trabalhe na formulação de inovações, de atributos positivos, em boas novas que respeitem as pessoas e proporcionem a alegria que elas buscam. Uma vez desenvolvidos estes produtos, entra o trabalho dos comunicadores, achando as formas de “como dizer” sobre as marcas que têm “o que dizer”. Porque quanto melhor um produto, quanto mais diferente, quanto mais cheio de qualidades, mais ele precisa de propaganda. Precisa “marketar”.

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