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Extra O Beijo no Asfalto
 
Curiosidades históricas
 
• Apesar de fictícia, a história (e a manchete no jornal) de “O Beijo no Asfalto” é baseada em um episódio real ocorrido na época. O repórter Pereira Rego, do jornal O Globo, foi atropelado por um arrasta-sandália (espécie de ônibus antigo) e, antes de morrer, no largo da Carioca, região central do Rio de Janeiro, pediu um beijo para uma jovem que tentava socorrê-lo. A personagem do repórter policial Amado Ribeiro também existiu, e era colega de Nelson na redação do Última Hora (cabe lembrar que Nelson costumava evocar seus colegas em suas crônicas. Já tinha usado o próprio Amado Ribeiro como personagem no livro “Asfalto Selvagem ou Engraçadinha” e homenageou seu amigo do jornalismo Otto Lara Resende em “Bonitinha, mas ordinária”).
 
• Desde 1959, Nelson prometera um texto para a companhia de Fernanda Montenegro e seu marido, o ator e diretor Fernando Torres. Como já se passavam semanas e ele não lhe dava notícias, ela recorreu ao telefone do jornal “Última Hora” para cobrar a entrega, que era sempre adiada sob a justificativa de que o autor estava sobrecarregado. Numa pausa entre uma coluna e outra, ele atendia a ligação da atriz. Ao reconhecer sua fala do outro lado, ele tentava escapar com sua indisfarçável voz: “Mas aqui não é o Nelson, meu coração. É o Nestor”. Sempre um pândego! Até que a atriz parou de ligar. No final de 1960, foi ele quem a procurou para, finalmente, lhe entregar o texto prometido.  
 
• A peça foi responsável pela saída de Nelson do “Última hora”. Mas não porque o amoral e inescrupuloso personagem de Amado Ribeiro tivesse o mesmo nome de um dos repórteres do jornal (que leu o texto do dramaturgo e autorizou sua encenação), e sim porque as referências ao UH como um veículo sensacionalista e que busca alavancar as vendas em cima de polêmicas não contribuíram para a imagem do vespertino, deixando o autor em uma posição desconfortável na redação.
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