Em crônica exclusiva, o escritor, radialista e dramaturgo Edyr Augusto Proença nos leva a um passeio pela musicalidade cubana e algumas de suas nuances. E ainda nos dá 10 bons motivos para conhecer outras referências do país do Buena Vista Social Club, apresentados em um set list especial. Confira:
Um Bel Air, alguns boleros e memórias inesquecíveis de Cuba
Como quase todo mundo, adorei assistir "Buena Vista Social Club", o documentário sobre a música, os músicos e alguns lugares maravilhosos de Cuba. Logo na abertura, vem Compay Segundo com seu “Chan Chan” a nos amolecer a alma com seu gingado perfeito.
Cuba é mágica: as ruas, os prédios, os carros antigos, me lembram uma Belém da minha infância; o velho Bel Air em que eu, Jefferson e Wellington Brasil passeávamos, conduzido por Nelson Lima. As cúmbias, os merengues de Haroldo Caraciollo na Rádio Clube. Uma babá de meu irmão Janjo, cantando - a plenos pulmões - versões de boleros escandalosamente melodramáticos. Que coisa!
Vem Caetano Veloso e nos ensina “Tu me acostumbraste”, de Frank Dominguez, que recentemente soube ter sido tumulto, na época, por ser uma canção de amor feita por um homem para outro homem...
E vieram aqueles barbudos fantasiados de militares, que tomaram conta... deixando apenas os ecos das big bands americanas que tocavam nos cassinos... Mas dos ecos surgiram bandas como Irakere, cantores e músicos como Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, porque é bom dizer, a Educação é muito boa. E não esqueçamos de Silvio Rodrigues, o autor de “Yolanda”, tão propagada por Chico e Bethânia. Em tempos de Google, tente ouvir Bola di Nieve, que tornou célebre “Drume Negrita”. Ah! Lembremos também de Paquito D’Rivera, que conseguiu sair da ilha e é um dos melhores saxofonistas do mundo... Ele que era do Irakere, como Arturo Sandoval, que após longa luta, também conseguiu sair, já ganhou Grammy, gravou até erudito e é um trompetista fenomenal, além de Chucho Valdés (Grammy 2011, com o CD “Chucho Steps”), ao lado dos Afro Cuban Messengers, “Best Latin Jazz Album”. Ufa, esse Irakere, hein?
Dentre os novos nomes, sugiro Gonzalo Rubalcaba e Roberto Fonseca, este último com o cd “Zamazu” (pianista sensacional). E gosto do primeiro disco de Marina de la Riva, brasileira, filha de cubano, que gravou “Drume Negrita”. Há muitos outros bem jovens, inclusive flertando com hip hop, mas não cheguei a me empolgar. Comece com “Buena Vista Social Club”. Já é muito bom.
| PARA OUVIR (sugestões de Edyr Proença) | |
| 1 | Compay Segundo - Chan Chan |
| 2 | Ibrahim Ferrer - Dos Gardenias |
| 3 | Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo - Quizas Quizas |
| 4 | Silvio Rodrigues - Yolanda |
| 5 | Paquito D’rivera - todo o cd “Mosaic”, com Caribbean Jazz Project |
| 6 | Arturo Sandoval - todo o cd “Danzón” |
| 7 | Chucho Valdés - todo o cd “Chucho Steps” |
| 8 | Gonzalo Rubalcaba - Besame Mucho |
| 9 | Marina de la Riva - Drume negrita |
| 10 | Roberto Fonseca - todo o cd “Zamazu” |
A Revista Leal Moreira preparou uma seleção de dez músicas, dentre as sugeridas por Edyr Proença e outras igualmente imprescindíveis a um bom setlist. É nosso desejo que você voe até Cuba... Aumente o som e relaxe, porque a viagem será inesquecível!
