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| Foto: Caio Brito |
Jornalista, produtor, músico. Esse é Marcelo Damaso, um dos criadores do 'Se Rasgum Festival', evento que vem ganhando cada vez mais fãs a cada edição e movimentando o circuito alternativo de rock, dentro de Belém. Damaso está envolvido no grupo de incentivadores e apaixonados por música que vem colocando a capital paraense no eixo dos grandes festivais de bandas independentes do país. O diferencial está na miscelânea de sons que são tocados: do embalo do carimbó, passando pela malemolência da guitarrada até chegar no do rock. No meio da correria na semana do Festival, Damaso encontrou um tempo e de uma entrevista para o Site da Revista Leal Moreira.
Site da Revista Leal Moreira - Como surgiu a iniciativa de criar um Festival desse porte?
Marcelo Damaso - Foi um passo natural no trabalho que a Dançum Se Rasgum Produciones realizava em Belém, abrindo espaço para a música autoral paraense e colocando o que estava rolando de mais interessante na música brasileira, tanto na discotacagem de nossas festas como nos palcos. No Brasil inteiro estava surgindo um movimento de festivais independentes como esse mesmo perfil. Na época, eu e Gustavo viajamos pro Goiânia Noisa e ficamos com vontade de fazer um aqui. Ao mesmo tempo, o Marcel Arede havia entrado na Se Rasgum e também estava por dentro desse novo cenário, já que na época era produtor do La Pupuña, que tocou em muitos destes festivais. Fizemos o primeiro Festival Se Rasgum no Rock no Parque dos Igarapés em 2006, colocando nos nossos palcos atrações de fora que estava fazendo um certo sucesso, como Cachorro Grande, Wander Wildner, Mundo Livre S/A, Vanguart etc. Deu muito certo e fomos notícias em diversos veículos importantes de difusão da nova música, como as revistas Rolling Stone e MTV, Folha de S. Paulo etc. E daí por diante contamos com editais públicos e muitos - mas MUITOS - apoios para que fosse possível realizar cada edição.
S.R.L.M - Quando a música entrou em sua vida?
M.D - Nas manhãs de sábado em que meus pais colocavam na vitrola Caetano, Chico, Moreira da Silva, Roberto, Elis etc. Depois ganhei um disco dos Beatles, que na real nem era um álbum, era uma coletânea. Acho que é assim que a música entra na vida de todo mundo. Quando fiz 12 anos parei de ganhar Comandos em Ação e meus tios, avós, meus pais... todo mundo me deu disco de presente. E nçao tinha filtro, bastava ver algo pop, da moda. Nesse aniversário ganhei discos do A-ha, Barão Vermelho, Elton John... Dois anos depois meu primo me "emprestou" um disco duplo do Ozzy Osbourne em que ele prestava tributo ao seu guitarrista falecido Randy Roads. Foi nesse disco que entendi mais as coisas. Nunca devolvi ao meu primo e tenho o disco até hoje.
S.R.L.M - O que você ouve?
M.D - Rock inglês e americano, música brasileira, jamaicana, ska, soul, folk, blues. sempre ouço muita coisa, compro muitos discos e conheço muita coisa legal pela internet. Gosto muito de rock e várias de suas vertentes: clássicos 60s e 70s, indie, post punk etc. Minhas bandas favoritas são: Wilco, Teenage Fanclub, Jesus and Mary Chain, The Who, Oasis, Graforréia Xilarmônica, Pelvs, Autoramas, Mundo Livre S/A, El Cuarteto de Nos, Sparklehorse, Pavement, Stone Roses, Tindersticks, Flaming Lips e Pixies. Meus compositores favoritos são: Leonard Cohen, Elvis Costello, John Lennon, Van Morrison, Lou Reed, David Bowie, Wado, Leoni, Belchior e Fagner. Minhas cantoras são: Gal Costa e Françoise Hardy.
S.R.L.M - O Festival tem na essência a mistura de sons e ritmos, tanto que artistas locais e de variados gêneros também são convidados. Esse diferencial atrai cada vez mais o público. O que você acha?
M.D - Não sei se atrai, mas essa mistura é a identidade do Festival e nós fazemos questão de manter essa proposta. Dentro do Festival buscamos atender a várias tribos, chamar todos, promover uma grande festa musical, sem barreiras. Fazer com que punk, playboy, hippie e indie convivam numa boa ligamos pela única coisa que importa, a música. A sétima edição do Festival Se Rasgum será realizado nos dias 6, 7 e 8 de dezembro, na praça Waldemar Henrique, (African Bar), em Belém.
S.R.L.M - Dar oportunidades para novas bandas se apresentarem nas seletivas é uma ideia e tanto. Mostra que a organização abre espaço para o que é novo. Na verdade, a cada ano o Festival reforça isso, não é?
M. D - As Seletivas não rolaram esse ano por falta de patrocínio, mas é uma etapa importante para incentivar a música autoral. Para a maioria das bandas que participa, o importante não é nem estar no Festival. Algumas querem mesmo competir, mostrar seu som. Todos os anos recebemos novas bandas se inscrevendo. É muito grande o surgimento de novos grupos a cada ano em Belém e no Pará.
S.R.L.M - A cena independente tem ganhado espaço e festivais como o ‘Se Rasgum” contribuem e muito p/ isso. Porém poucas bandas sobrevivem e conseguem manter a mesma força do início. A que podemos atribuir isso?
M. D - Muitas bandas acham que o Se Rasgum é um trampolim para a fama, que depois dele tudo vai se tornar mais fácil. E é óbvio que não é. A gente é apenas uma etapa do processo. Com o mercado que temos hoje em dia estar em cima do palco em um festival é muito pouco do que representa o esforço de uma banda nos dias de hj.
S.R.L.M - Como você avalia o cenário paraense, quando o assunto é música? Parece que temos muito a oferecer.
M. D - Temos uma música reconhecida como original e criativa. E isso quem fala não somos só nós, mas alguns dos maiores produtores, jornalista e pesquisadores musicais do Brasil e do mundo. O olhar para a música produzida na Amazônia é muito forte e isso, graças à facilidade e rapidez das informações, já virou notícia no Brasil. O que falta agora é transformar isso num mercado com renda e bons profissionais.
S.R.L.M - Quais são as grandes dificuldades para se montar, anualmente, projetos como o “Se Rasgum”?
M. D - Patrocínio. Tem sido cada vez mais difícil.
S.R.L.M - O público paraense é fiel e bem presente nos eventos culturais da região. Isso facilita o sucesso do Festival?
M. D - Nem sempre. Eu vejo hoje muito menos gente que ia pro Festival conhecer bandas do que antes. Parece que agora que as pessoas só querem ir ao Festival ver aquele artista que gosta muito, com menos curiosidade pra conhecer bandas. Mas ainda é menor, graças a esse público interessado é que nós continuamos fazendo.
S.R.L.M - Desafios à vista?
M. D -Chegar a 20 edições do Festival Se Rasgum.

SE RASGUM
Na 7ª edição do Festival, artistas paraenses, como Dona Onete, Mestre Laurentino, Mestres da Guitarrada e Mestre Solano, serão homenageados. Uma exposição do ilustrador paraense, Junior Lopes, será montada. Na mostra ele destaca a música paraense. Ao todos serão mais de 11 atrações que estarão nos três dias de evento. O Festival integra à sua programação ações de sustentabilidade em diversas parcerias com associações e ONGs.
SERVIÇO:
VII Festival Se Rasgum Dia 6, no IAP (entrada franca)
Dias 7 e 8 no African (Praça Waldemar Henrique s/n)
A partir das 20h
Informações: www.serasgum.com.br

