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Nosso amor de ontem... e de depois


Aquele amor que é, que foi, que era, que é de novo, que deixa de ser, até que o tempo passa, passa e acaba sendo de uma vez: quem já não teve um desses pelo menos conhece alguém que teve ou já ouviu muito falar sobre, nem que seja nos filmes e 
livros. 
 
O todo-poderoso das Organizações Globo, Roberto Marinho (1904-2003), conheceu a socialite Lily Monique de Carvalho (1920-2011) em 1941, quando ela era casada e, ao final dos anos 80, ao reencontrá-la já viúva, fez questão de lhe descrever o vestido que ela usava à ocasião daquele primeiro encontro, quase 40 anos antes. O casamento deles aconteceu antes do início da década seguinte e durante os quase 15 anos de união, sempre que tinha a oportunidade, em seus discursos, o empresário declarava-se à amada, admitindo que lhe era persistente, por muitos anos, a ideia de que era apenas uma questão de tempo até que eles ficassem –  finalmente – juntos. O casal mais polêmico da história do cinema, Elizabeth Taylor (1932-2011) e Richard Burton (1925-1984), iniciou um tórrido romance no início da década de 60 enquanto ambos eram casados com outras pessoas. Casaram-se em 64 e, juntos, entre tapas e beijos e bebedeiras homéricas, ficaram por dez anos. Quando não se aguentavam mais, se divorciaram, e casaram de novo, um ano após o rompimento, em 1975. Ainda que a última união tenha durado apenas um ano, viveram a partir de então sob a aura de que, em algum momento, estariam juntos novamente – esperança que se quebrou com a morte de Burton e, em parte, visto que, mesmo em outros casamentos posteriores, a bela dos olhos de violeta nunca negou que pertencia, de corpo e alma, ao seu grande e conturbado amor. E, naturalmente, não podemos deixar de fora os artistas Frida Kahlo [a quem dedicamos a Galeria desta edição] e Diego Rivera. O casal, tão problemático quanto talentoso, resolvia muito de suas infelicidades mantendo casos extraconjugais. Frida amava loucamente Diego, que... teve um caso [e seis filhos] com a irmã caçula de Frida – fato que culminou na separação de ambos. Mas não por muito tempo. Dois anos depois, em 1940, ambos decidiram se casar novamente. O final feliz, afinal? Mais ou menos [como não poderia deixar de ser na trajetória de dois gênios], mas quando da morte de Frida, Rivera declarou que sua felicidade morrera junto. Coisas do amor. 

E como o clima do Dia dos Namorados chegou de vez também à redação da RLM, apresentamos duas histórias que superaram o maior dos senhores, o tempo, para não deixar de existir. Ou de (re)nascer.



A história da odontóloga Márcia Barbalho, 45, e do funcionário público Marcelo Barbalho, 47, enquanto casal, tem uma linha do tempo com muitas marcas. Em 1984, eles eram namorados de colégio; em 1987 e recém-chegados à faculdade, o relacionamento chegou ao fim. O tempo passou. Cada um seguiu a sua vida e, de alguma forma, em 2002, eles estavam juntos de novo para não se separar mais. “Confesso que não sou boa com datas, por exemplo: eu lembro o ano do meu casamento porque nossa filha tinha dois anos de idade e hoje ela tem oito. Inclusive eu costumo dizer que eu e ele temos história, e não memória!”, brinca a esposa.

No final da década de 80, o relacionamento terminou, relativamente, em bons termos. Embora afastados, seguindo suas rotinas, os dois sempre, digamos assim, se sabiam um do outro. “Temos muitos amigos em comum, então eu acabava sabendo de algumas coisas que ele fazia, assim como ele também sabia de mim”, lembra, Márcia. 
 
Ela casou, ele também casou, ela foi morar fora, ele começou uma carreira no setor público e, em meados de 2002, veio o reencontro. “Eu estava divorciada, ele também. Não teve nada combinado, nós, por acaso, nos reencontramos e estávamos solteiros novamente. Eu tinha três filhos do primeiro casamento, o Marcelo também tinha outro, nós juntamos os nossos ‘trapinhos’ e ainda tivemos mais um filho!”, enumera. “Os amigos acharam engraçado, ainda tínhamos alguns que acompanharam o namoro e também acompanharam a nossa reunião e, apesar da surpresa, acharam legal nos ver juntos de novo”, afirma.

Se estava ou não escrito nas estrelas esse segundo round do relacionamento, ou mesmo a história como um todo, Márcia não se arrisca a responder, mas não nega o quanto foi bom e diferente a oportunidade de se relacionar, já na fase adulta, com quem namorou na época da adolescência. “Tudo bem que mulher sempre amadurece mais rápido, mas, de qualquer forma, nos relacionamos em duas épocas distintas da vida. Eu devia ter uns 15 quando começamos, terminamos logo depois de entrarmos na faculdade. Quando ficamos juntos de vez, além de já termos tido, cada um, uma experiência com o casamento, ambos tínhamos mais de 30 anos de idade, foi uma outra história”, avalia a odontóloga.

Uma das memórias de infância da jornalista Ana Carolina Valente, de 28 anos, se refere às visitas que o irmão mais velho recebia em casa. O que ela nem sonhava era que um desses visitantes seria, anos mais tarde, o pai de seu filho. “Eu tinha uns seis, sete anos, andava de calcinha, brincava com eles, era criança, né? E foi quando eu conheci o Floriano, que é oito anos mais velho que eu. Hoje, eu tiro graça com ele, dizendo que ele me viu de calcinha quando eu era criança e quis ver de novo depois de adulta!”, diverte-se a jovem, ao falar do companheiro, o músico Floriano Neto, de 34 anos, com quem divide o mesmo teto e a filiação do pequeno Ícaro, de apenas três anos.

Como nenhuma perspectiva de união estava no script inicial, o destino deu uma forcinha para que os dois acabassem se reencontrando, já adultos. “Foram mais de 15 anos até a gente se ver de novo e voltamos a nos falar por uma questão de trabalho. Eu intermediava o envio de material para uma coluna sobre música que era publicada em um jornal local e tinha um material dele para enviar. Deu problema no e-mail que ele me passou e, para resolvermos, nos adicionamos no MSN Messenger [programa hoje extinto, que possibilitava a troca de mensagens online]. Vi a foto, sabia que conhecia de algum lugar e perguntei se ele lembrava de mim. Quando ele se tocou de quem era, disse ‘eras, tu estás desse tamanho?!?’. Pronto. Viramos amigos”, recorda a jovem.

Cada um com o seu relacionamento amoroso em andamento, a amizade girou por mais de um ano em torno de um mesmo assunto que muito interessa aos dois: música. “Como falar com ele sobre outro assunto? Eu sou rockeira, ele também, o papo fluía sempre nesse sentido. A gente nem imaginava que, dali a algum tempo, acabaria se envolvendo”, expõe. “Até que fui, como costumava acontecer, a um show dele. Só que eu estava solteira há algum tempo e ele também. E acabou o show, papo, cerveja e nós acabamos ficando juntos. Houve muito vai e volta, no total são cinco anos de história, foi quando o Ícaro nasceu que nós colocamos os pingos nos ‘is’”, detalha.

Carolina conta que quem foi alvo de brincadeiras por muito tempo foi justamente o irmão-cupido-sem-querer do casal. “No início, teve ciúme, teve olhar torto, afinal, era uma pessoa que era amigo dele, que estava sempre em casa. Mas depois ficou tudo em casa, hoje eles se abraçam, se chamam de irmãos e tudo!”, admite. “O que é mais engraçado é lembrar de tudo o que aconteceu, dessas lembranças lá de casa, quando eu era criança e de nunca, jamais ter passado pela minha cabeça que eu conheci o pai do meu filho, que me chama de esposa com tão pouca idade!”, impressiona-se.
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