Hoje o dia tem uma atmosfera meio diferente. Flores vendidas nos sinais, sorrisos estampados nos rostos pela rua, presentes, corações... Sim, é “dia dos namorados” – essa data que comove os apaixonados, que motiva piadinhas dos solteiros convictos e alguma chateação naqueles que gostariam de estar de mãos dadas com alguém. O amor está em toda parte, como se o dia 12 fosse uma ilha vermelha entre dias menos coloridos. Mas há, sempre há, aqueles casais que fazem dos seus dias juntos celebrações diárias – e mantêm o romance presente independente da data marcada no calendário. Fomos atrás desses pares que praticam o amor todos os dias e não saberiam viver diferente. Conheça alguns deles:
Nair Araújo e Felipe Elleres - ela jornalista, ele publicitário - são exemplos daquele amor de comédia romântica: romance e risadas combinados, e diariamente. Com uma rotina super corrida, eles abrem espaço onde não há para passar um tempo juntos - mesmo que seja ao telefone rindo à toa. Felipe conta como foi o começo do romance: “Temos vários amigos em comum e saíamos para os mesmos lugares. Na época estávamos com outros acompanhantes em um show de reggae. Naquele dia, chegamos a dançar e conversar, mas nada rolou, pois estávamos acompanhados. Foi então que, depois de dois meses saindo com a mesma galera, tive a sensação de querer chegar junto. Disse a ela, que estava em um canto, que ela ‘era meu sonho de consumo’”, diverte-se. Nair conta que o namoro começou no dia 20 de junho – e que, por isso, a comemoração fica mesmo para o aniversário. “Como fazemos aniversário de namoro muito perto, desde o primeiro ano juntos deixamos a comemoração para o dia 20. Então, na noite do dia 12 geralmente a gente está junto - mas nunca planejamos nada especial. Eu particularmente não planejei nada. No máximo, vamos jantar juntos lá em
casa mesmo”.
O maior ponto de identificação do casal, segundo eles mesmos, é que ambos são extrovertidos, arrancando sorrisos dos amigos que encontram por aí. Nair revela que “muitas pessoas que nos conhecem dizem que temos personalidades muito parecidas e que somos um casal divertido, que está sempre fazendo piadas”. E Felipe completa: “sempre procurei uma pessoa que topasse as brincadeiras que faço e risse das minhas piadas sem graça. O que me impressionou é que ela faz brincadeiras e piadas mais engraçadas que as minhas”, derrete-se.
Já no caso de Natasha Pinto e Caio Portal, que estão juntos há quase quatro anos, o romance é um pouco complicado pelo fator “distância”. Mas eles afirmam que contornam isso com muita tranquilidade, seja por meio de mensagens via celular e ligações, seja dedicando todos os fins de semana para ficar juntinhos. “Como eu estudo em outra cidade, só nós vemos nos finais de semana. Aí vamos ao cinema, malhamos juntos, saímos com amigos... Mas ultimamente temos optado por programas caseiros, seja na minha casa ou na dele, fazendo receitas da internet para aproveitar ao máximo nosso tempo juntos”, ri ela. “Mesmo com a distância durante a semana, nos falamos todo dia, com o whatsapp sempre ligado, ou então ligando rapidinho pra dar boa noite e dizer eu te amo”, explicou Natasha.
Em tempos de internet protagonizando muitas brigas de apaixonados por aí, Caio vai na
contramão: considera a rede uma grande ferramenta para encurtar a distância que o separa da amada. “A internet acaba sendo um meio a mais pra gente se falar. Sempre que vejo algo que me faz lembrar ela, ou mesmo algo engraçado, eu mando. Uma frase, uma música, uma foto, ou qualquer coisa. Estamos sempre interagindo”. Ele aproveita para criticar aqueles que, ao invés de utilizar as redes sociais para se aproximar, “exageram e acabam criando um casal ‘fake’, que às vezes nem possui toda aquela interação, aquele romantismo todo, aquele amor todo que aparenta ter”.
Segundo o casal, o dia dos namorados não será bem no dia 12, data oficial, em função de Natasha morar fora. Eles vão comemorar e ficar juntos no fim de semana, como fazem sempre. “No dia dos namorados, ela vai estar em aula, então vamos passar separados. Mas vamos comemorar no final de semana, de maneira simples, comer algo, curtir o momento juntos”, destacou Caio.
Ludmylla Costa e Renato Menezes sofrem do mesmo mal: a falta de tempo e espaço. Eles moram um pouco distantes um do outro e – como
praticamente todo casal da atualidade – têm uma agenda cheia de trabalho cotidianamente. Contudo, eles fazem de tudo para viver a vida bem juntinhos. “No tempo que temos, tentamos nos encontrar. Moramos um pouco longe, e mesmo com a rotina agitada isso nunca é desculpa pra deixarmos de nos ver. Nossa rotina é bem diferente, mas no espaço que dá a gente se encaixa.”, ressaltou Ludmylla.
Para Renato, o amor mora nos detalhes. Embora sejam bastante diferentes em vários aspectos – como música, filmes e programas favoritos -, as divergências não são um fator ruim ou prejudicial. Ele explica: “O bom disso é que sempre podemos aprender mutuamente. Acho que nos identificamos mais nas coisas que não são tangíveis, descritivas, pronunciáveis. Talvez seja o ponto que realmente interessa”, filosofa.
Segundo o casal, a data de hoje é muito especial e deve ser comemorada à altura. Mas longe dos restaurantes lotados ou dos lugares mais cobiçados da cidade, eles preferem somente a companhia um do outro, em um momento reservado para eles. “Dia dos namorados se torna dor de cabeça quando se quer fazer qualquer programação na cidade. Está tudo lotado. Optamos por ficar em casa, juntinhos, pedir ou fazer comida, que é mais agradável que o estresse de tentar sair”, diz Ludmylla.
De maneiras diversas, casais como esses fazem de todos os dias do mês momentos especiais. Seja driblando todas as dificuldades ou preferindo criar um mundo só de dois, nossos românticos personagens sabem que o dia de namorar é sempre. E na data mais poética do ano, tudo pode acontecer. Quem sabe, com um empurrãozinho do destino, os que estão longe possam se encontrar e contracenar as mais belas histórias de amor...?
Sobre o dia dos namorados
Lá na antiguidade, existiam comemorações pagãs que celebravam o Fauno Luperco, que para os gregos representava a proteção dos pastores e seus rebanhos, marcando o período que precedia a primavera. Era um ritual muito celebrado até então no dia 15 de fevereiro, e talvez por isso mesmo - pela popularidade – o período tenha sido eleito pelo papa Gelasio 1º para guardar a lenda sobre um São Valentim, numa época em que a igreja católica adaptava comemorações pagãs para seus calendários. Assim, a celebração foi antecipada em um dia, tornando-se o famoso “Valentine’s Day” no hemisfério norte.
Mesmo sobre São Valentim, as histórias são muitas. Só nos registros mais antigos cristãos, existem pelo menos três santos com o nome de Valentim, e todos de alguma forma são lembrados no dia 14 de fevereiro. A versão mais famosa diz respeito a um sacerdote cristão chamado São Valentim, que foi condenado, torturado e morto por um imperador, em 270 d.C. Conta a história que ele se apaixonou pela filha de seu carcereiro, para quem mandava cartas assinadas como “Seu Valentim” – dando origem à tradição de mandar cartas no dia dos namorados. Outra história bem aceita é a de que São Valentim teria sido um sacerdote que, indo de encontro aos costumes da época, celebrou casamentos quando os rituais católicos ainda eram feitos na clandestinidade – se popularizando, com o passar do tempo, como o tradicional dia dos namorados.
No Brasil, a data chegou por meio do empresário João Dória, que acabara de chegar do exterior com a novidade. Já que nesta data também é tradição trocar presentes simbólicos, além dos já tradicionais cartões, a época escolhida para marcar a celebração foi o mês de junho – um período de vendas até então pouco expressivas para o comércio. Oportunamente, João bateu o martelo pelo dia 12, véspera do dia do santo casamenteiro, Santo Antônio.
