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Piano do Cine Olympia atravessa gerações e preserva memória cultural em Belém

Fabricado em 1913, um piano que pertenceu ao Cine Olympia acompanha, há mais de um século, diferentes capítulos da história cultural de Belém. No início do século XX, quando o cinema ainda era mudo, o instrumento era responsável por dar ritmo e emoção às sessões exibidas na tradicional sala da capital paraense.

Com a chegada do cinema sonoro, no final da década de 1920, o instrumento deixou de ser utilizado nas sessões. Foi então adquirido pelo empresário Clóvis Ferreira Jorge, que atuava no setor de transportes em Belém e administrava a empresa de ônibus Viação Americana.

A partir desse momento, o piano deixou o ambiente do cinema e passou a integrar a vida doméstica da família. Na nova casa, o instrumento ganhou outra função: a formação musical.

A professora de música Mavilda Aliverti, filha de Clóvis e hoje com 86 anos, começou a estudá-lo ainda criança, aos 10 anos de idade. Anos depois, o mesmo piano seria utilizado em suas aulas.

Pesando cerca de 250 quilos, o instrumento foi adaptado para resistir ao clima úmido da Amazônia e ainda mantém detalhes originais, como a placa do comerciante Abraham Mathias, que o vendia em Belém, na Rua 13 de Maio. E, ao longo das décadas, o instrumento ajudou a formar quatro musicistas da família e diversos outros profissionais da área musical no Pará.

Mais do que um objeto antigo, o piano guarda parte da memória de uma época em que o cinema era acompanhado por música ao vivo e a vida cultural da cidade girava em torno de teatros, concertos e saraus.

Hoje o piano já não pode mais ser tocado. A restauração da mecânica interna teria um custo elevado. Ainda assim, ele permanece preservado como uma relíquia da família.


Cine Olympia - Inaugurado em 24 de abril de 1912, o Cine Olympia é um dos cinemas mais antigos do Brasil, tendo sido símbolo de luxo e modernidade no início do século XX, época em que Belém vivia um intercâmbio econômico intenso com os Estados Unidos e a Europa, impulsionado pela exportação de borracha. O cinema foi um marco cultural na cidade e, ao longo dos anos, passou a integrar a memória histórica de Belém.

Atualmente o Cine Olympia passa por uma revitalização para restaurar a arquitetura e modernizar as instalações para atender às necessidades de acessibilidade e tecnologia. 


Com informações da Agência Belém / Fotos: Paula Lourinho