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Primeiro data center de Inteligência Artificial da Amazônia será instalado na Artur Bernardes, em Belém

A empresa de energia AXIA Energia e a Elea Data Centers anunciaram a implantação do primeiro data center voltado para inteligência artificial na região amazônica, em Belém (PA). O projeto recebeu o nome de BEL1. O data center será uma infraestrutura física projetada para abrigar servidores, sistemas de armazenamento e redes de computadores.

Com início de operação previsto para o segundo trimestre de 2027, o empreendimento terá capacidade inicial de 7,5 MW, com potencial de expansão para até 100 MW nas próximas fases.

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Desenvolvido em parceria com a AXIA Energia e localizado próximo à subestação de alta tensão Miramar — ativo elétrico estratégico de alta tensão localizado na zona portuária de Belém, na Avenida Artur Bernardes — o empreendimento une infraestrutura energética robusta e capacidade de expansão para atender à próxima geração de workloads de Inteligência Artificial.

Data center será construído no Terminal Petroquimico de Miramar em Belém (Foto: Google Maps)
Data center será construído no Terminal Petroquimico de Miramar em Belém (Foto: Google Maps)

Um post da Elea nas redes sociais anuncia que, com o BEL1, Belém entra em uma nova rota estratégica para a infraestrutura digital brasileira, “ampliando a diversidade da conectividade nacional e impulsionando o desenvolvimento da economia digital na Amazônia”.

Segundo a Elea Data Centers, o BEL1 será abastecido com energia 100% renovável, por meio de um Contrato de Compra de Energia (PPA), combinando confiabilidade energética, eficiência operacional e escalabilidade.

Principais números do projeto:

  1. Investimento inicial de aproximadamente R$ 250 milhões.
  2. Capacidade inicial de 7,5 MW, com possibilidade de expansão para 100 MW nas próximas etapas.
  3. Localização próxima à subestação Miramar, na zona portuária de Belém, o que facilita a conexão elétrica e reduz perdas de transmissão.
  4. Entrada em operação prevista para o segundo trimestre de 2027.

O que cada empresa fará

  1. A Elea ficará responsável pela construção e operação do data center.
  2. A Axia fornecerá energia ao empreendimento, com compromisso de abastecimento por fontes renováveis.

Por que o projeto é relevante

O empreendimento busca descentralizar a infraestrutura digital brasileira, hoje muito concentrada em regiões como São Paulo e Fortaleza. Os executivos das duas empresas destacam que Belém pode se tornar uma nova rota estratégica de conectividade e processamento de dados, especialmente com a expansão das aplicações de IA.

Além disso, o projeto é apresentado como um possível legado da COP30, combinando infraestrutura digital e energia renovável. Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea Data Centers, afirma que o projeto começou a ser concebido em 2024, quando a capital do Pará foi confirmada como sede da COP30. “Expandir para Belém é um movimento estratégico para ampliar a distribuição geográfica da nossa plataforma e fortalecer a infraestrutura digital do Brasil. Essa região terá papel fundamental no ecossistema digital brasileiro ao representar uma alternativa de rota a Fortaleza, além de contribuir para reduzir a desigualdade digital e impulsionar a competitividade regional”, destaca.

O que isso significa para o Pará

Se o plano de expansão até 100 MW se concretizar, o BEL1 poderá se tornar um dos principais polos de computação de alta densidade da Região Norte, atraindo empresas de tecnologia, serviços em nuvem e aplicações de IA para a Amazônia.

Segundo especialistas, ao atingir sua capacidade máxima planejada de 100 MW, o BEL1 consumirá o equivalente à energia de cerca de 500 mil casas. O investimento inicial previsto para o empreendimento é de R$ 250 milhões.

Principais impactos apontados

1. Pressão sobre o sistema elétrico regional

Mesmo com a promessa de energia renovável, um data center de IA exige fornecimento contínuo 24 horas por dia. Isso pode aumentar a disputa por infraestrutura elétrica e exigir novos investimentos em transmissão e distribuição de energia.

2. Consumo energético muito elevado

Data centers voltados para IA consomem significativamente mais energia do que centros de dados tradicionais porque utilizam grandes quantidades de GPUs e sistemas de resfriamento intensivo. Estudos citados em debates sobre o setor mostram que equipamentos de IA podem consumir de cinco a seis vezes mais eletricidade que servidores convencionais.

3. Possível impacto sobre recursos hídricos

Dependendo da tecnologia de refrigeração adotada, data centers podem demandar volumes relevantes de água para resfriamento. Em uma região marcada por desafios ambientais e climáticos, isso gera preocupação sobre o uso sustentável dos recursos naturais.

4. Geração de empregos e atração de investimentos

O lado positivo destacado pelas empresas é a criação de empregos qualificados, atração de empresas de tecnologia, fortalecimento da infraestrutura digital da Amazônia e diversificação econômica de Belém. O projeto também pode posicionar a cidade como um polo tecnológico associado à COP30 e à economia digital.

5. Debate sobre quem se beneficia

Um dos questionamentos levantados é se o elevado consumo de energia gerará benefícios proporcionais para a população local. Críticos argumentam que a região ainda enfrenta gargalos em saneamento, conectividade e infraestrutura básica, enquanto defensores afirmam que o investimento pode acelerar o desenvolvimento econômico regional.

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