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Slow travel: por que viajar sem pressa virou o novo luxo do turismo?

Viajar é uma forma de descobrir novos lugares, mas a maneira de fazer isso está mudando. Em vez de roteiros corridos e agendas cheias, a busca por um turismo mais conectado ao bem-estar e às experiências autênticas tem crescido entre os viajantes. É nesse cenário que o slow travel, ou viagem sem pressa, ganha espaço como uma das tendências do turismo. 

Mais do que uma tendência de viagem, o conceito propõe uma mudança de comportamento. Em vez de tentar conhecer o maior número possível de lugares em poucos dias, a ideia é permanecer mais tempo em um único destino, explorar o cotidiano local, criar conexões e abrir espaço para viver a experiência sem a pressão de cumprir um roteiro.

“O slow travel pode ser entendido como uma forma de imersão durante as viagens, visando o melhor aproveitamento do destino e das experiências. Neste aspecto, se aproxima de algumas questões abordadas pela psicologia social, como a necessidade de atenção plena no presente e desprendimento da ansiedade do futuro e pesos do passado”, explica a professora e vice-diretora da Faculdade de Turismo (FACTUR) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Jéssika Paiva França.

Ainda segundo ela, o “mindfulness (a prática de focar intencionalmente a atenção no momento presente) apresenta-se como um viés para um turismo focado no bem-estar, que ganhou forças especialmente pós-pandemia. Considero que o slow travel já sofreu diversas reformulações no âmbito das discussões acadêmicas e planejamento turístico, pois vem sendo tratada com em todos os segmentos”, considera a professora.

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Na prática, o slow travel não está necessariamente ligado à distância percorrida ou ao tempo disponível para viajar, mas à forma como o destino é vivido. A proposta é abrir espaço para descobrir o lugar além dos pontos turísticos, com mais tempo para caminhar sem roteiro rígido, usar transportes locais, conhecer pequenos negócios, experimentar a rotina da cidade e permitir que imprevistos também façam parte da experiência. 

“Hoje se fala bastante em turismo de base comunitária e turismo de experiência. Ambos são capazes de proporcionar além de memorabilidade, aprendizagens e conexões entre pessoas, espaços e culturas. O turismo gastronômico entra em cena e possibilita uma reflexão sobre a origem da terminologia slow travel como um desmembramento do movimento slow food na década de 80”, compartilha Jéssika Paiva.

Jéssika Paiva França, professora e vice-diretora da Faculdade de Turismo (FACTUR) da Universidade Federal do Pará (UFPA). (Foto: Arquivo Pessoal)

Slow travel x Viagem tradicional

Embora não exista uma única forma de viajar, o slow travel propõe uma experiência diferente daquela normalmente associada aos roteiros mais acelerados. Confira algumas das principais diferenças:

1. Ritmo

A viagem tradicional costuma concentrar várias atrações em poucos dias. Já o slow travel prioriza um ritmo mais tranquilo e flexível.

2. Foco

 Enquanto o turismo tradicional privilegia os principais pontos turísticos, o slow travel incentiva a imersão na cultura local e no cotidiano do destino.

3. Experiência

 No modelo tradicional, a prioridade é conhecer o maior número possível de lugares. No slow travel, o foco está em viver cada destino com mais profundidade.

4. Impacto

 Ao reduzir deslocamentos e valorizar pequenos negócios, o slow travel favorece um turismo mais consciente e sustentável.

Para a vice-diretora da FACTUR/UFPA, o maior diferencial do slow travel está na forma de vivenciar cada destino. “A tomada de consciência e a liberdade de escolha do que fazer com o seu tempo disponível durante uma viagem, em contraposição às influências midiáticas, que incentivam a ocupação total desse tempo. No slow travel o viajante vive conexões, aprendizagens, memorabilidade, além de bem-estar”, conclui Jéssika Paiva.