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Tecnologia e precisão a serviço da medicina

A inteligência artificial (IA) está transformando a medicina de forma significativa, e a radiologia é uma das áreas mais impactadas por essa evolução. Em um cenário de crescente demanda por exames e maior pressão por eficiência, a tecnologia tem tornado a análise de imagens médicas mais rápida, precisa e inteligente. Com isso, os profissionais de saúde ganham mais segurança na tomada de decisões, otimizam sua rotina de trabalho e conseguem planejar tratamentos mais personalizados e eficazes.

Ao analisarmos a atuação da IA na radiologia e no diagnóstico por imagem, evidencia-se seu impacto positivo em diferentes etapas do processo assistencial. Desde a aquisição das imagens, com maior padronização e qualidade dos exames, até a interpretação dos achados, a elaboração de laudos e a comunicação eficiente de resultados clínicos e críticos.

A dra. Júlia Carvalho comenta sobre o papel da inteligência artificial no apoio aos médicos, destacando seu impacto na análise de exames e na agilidade dos diagnósticos: “A IA está ajudando e auxiliando o médico em diversos aspectos, principalmente na qualidade, na precisão e na agilidade dos diagnósticos. Observamos a análise, pela IA, de grandes volumes de dados clínicos, laboratoriais e de imagem. São volumes de dados muito extensos, e isso auxilia significativamente os médicos”, disse a médica radiologista.

IA no diagnóstico por imagem

Na prática, a IA já apresenta resultados relevantes em diversos exames. Em mamografias, por exemplo, sistemas inteligentes conseguem identificar microcalcificações e pequenas alterações suspeitas com alta sensibilidade, achados que muitas vezes passam despercebidos ao olho humano. Na tomografia computadorizada, especialmente na avaliação de nódulos pulmonares, a IA auxilia na diferenciação entre lesões benignas e malignas, aumentando a precisão diagnóstica.

Redução de tempo e custos com o apoio da IA

Outro benefício importante da inteligência artificial é a automação de tarefas repetitivas, como a segmentação de órgãos e a detecção inicial de lesões. Isso permite que os radiologistas dediquem mais tempo aos casos complexos e às decisões clínicas estratégicas. Esse aumento de produtividade reduz o tempo de espera dos pacientes e contribui para a diminuição dos custos operacionais, tornando os serviços de diagnóstico por imagem mais eficientes.

Além disso, a IA auxilia na priorização de exames críticos, essencial em situações de emergência, como acidentes vasculares cerebrais ou traumas graves, nas quais o tempo é um fator determinante.

“Detecção também de embolia pulmonar, que é uma situação crítica e exige uma intervenção mais rápida. Temos, na mamografia, a detecção de câncer de mama, no raio-X, a identificação de nódulos e também de alterações que correspondem a afecções mais críticas na emergência. Por exemplo, no raio-X de tórax, é possível identificar um pneumotórax e outras alterações que igualmente necessitam de intervenção rápida”, compartilha.

Transparência para os pacientes

A utilização da IA na saúde deve ser transparente para os pacientes, constituindo uma exigência ética fundamental e um princípio cada vez mais presente na legislação brasileira. A transparência é essencial para fortalecer a confiança e garantir a segurança do cuidado.

Desafios para o uso da IA na radiologia

Apesar de seu grande potencial, a implementação da IA ainda enfrenta desafios. A eficácia dos algoritmos depende diretamente da qualidade dos dados utilizados em seu treinamento. Bases de dados limitadas ou enviesadas podem gerar interpretações imprecisas, comprometendo a segurança do paciente. Por isso, o uso responsável e criterioso da tecnologia é indispensável.

O papel da IA: aliada, não substituta dos profissionais

É fundamental destacar que a IA atua como suporte, e não como substituta, dos radiologistas e técnicos. Ao automatizar tarefas operacionais, a tecnologia libera tempo para que os profissionais se concentrem na validação dos resultados, na tomada de decisões complexas e na comunicação com pacientes e equipes multidisciplinares. A atuação humana permanece indispensável para assegurar qualidade, ética e segurança em toda a jornada do cuidado em saúde.

“A IA não vai substituir o radiologista, mas vai redefinir o papel do radiologista. Ele ainda será essencial para contextualizar a parte clínica e a dimensão humana do paciente. Assim, a decisão final, e até mesmo a responsabilidade legal, continuará sendo do médico radiologista. Acredito que, por um bom tempo, veremos a IA atuando de forma colaborativa com o radiologista, como uma ferramenta de apoio; porém, a decisão final e a responsabilidade seguirão sendo do médico radiologista”, afirma a médica.

Dessa forma, o médico pode e deve utilizar a IA como um instrumento de otimização do exercício profissional, sempre em benefício do ser humano. No entanto, esse uso precisa ser responsável, transparente e crítico.