
Após quatro anos dedicados a música, enfim, o resultado mais esperado: o disco de estreia. A paraense Aíla colhe agora os frutos de muito trabalho e seu primeiro álbum, “Trelêlê”, sintetiza muito bem a busca de uma artista que se permite mesclar múltiplas sonoridades e experimentar novas possibilidades. “Tenho fortes influências da música tradicional amazônica e dos ritmos latinos, mas também faço referência direta ao pop. Não imponho limites”, analisa com maturidade a jovem cantora.
E o primeiro “filho” da carreira da cantora é um disco vibrante. As músicas da Aíla misturam elementos do brega e do tcha-tcha-tcha com riffs de guitarra e batidas eletrônicas. A experimentação não pára por aí. A identidade visual do álbum também surpreende. “Convidei a artista visual Roberta Carvalho para pensar na arte do Trelêlê e o resultado foi uma profusão de cores que remetem ao 'Holi Festival', que comemora a chegada da primavera na Índia”, conta a cantora que mesmo antes de lançar o disco, já havia feito shows em outras cidades, como Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.
Na entrevista, conheça um pouco mais sobre o processo de construção de "Trelêlê" e das referências que fazem de Aíla um dos nomes promissores da cena paraense. Confira:
SRLM: A sua música mistura diversos ritmos – vai de expressões mais tradicionais da música ao universo pop. Como você lida com rótulos no seu trabalho?
Aíla: Os rótulos são importantes para o mercado em geral. Entendo perfeitamente tal importância, mas prefiro não rotular meu trabalho e deixar com que as pessoas definam como acharem melhor... Ou simplesmente sintam, né? O nome do CD , inclusive, é uma brincadeira com esses conceitos também... "Trelêlê", além de ser uma onomatopeia do tremor do jambú quando levado à boca, é uma palavra popularmente conhecida para definir relações informais entre duas pessoas, relações ainda não definidas ou não devidamente apresentadas à sociedade. E neste caso, tal significado, consegue se aproximar perfeitamente da estética sonora do disco, que não pretende ser definida por padrões musicais pré-estabelecidos, já formalizados. Tem a intenção mesmo de reinventar, ser informal, no sentido de ser "despadronizado", pois busca um estilo sonoro ainda não apresentado “formalmente".
SRLM: Você é de uma família totalmente musical e, por isso, cresceu cercada de sons e de grandes nomes da música. Quais são suas principais influências?
Aíla: As influências sempre são um acúmulo de fases e vivências da gente. Por exemplo, quando pequena, por influência do meu avô, escutei muito samba e bossa bova: João Gilberto, Geraldo Pereira, Chico, Tom, Elis, ... Depois vieram influências tropicalistas e de jovem guarda da minha mãe: Caetano, Bethânia, Gal, Caetano, Gil, Roberto Carlos, Erasmo. No início da minha juventude, tive influências mais "pops": Marina Lima, Adriana (Calcanhoto), Vanessa (da Mata), Marisa (Monte), Arnaldo (Antunes)... E ao longo desses 3 últimos anos, convivi muito com a guitarrada, o carimbó, a lambada, o brega dos anos 80, além dos ritmos latinos que por osmose já estão enraizados na nossa cultura, como o zouk, a cúmbia, a salsa, dentre outros... E tudo isso acabou refletindo hoje no trabalho que faço.
SRLM: O “Trelêlê” é um disco de interpretações. Como foi o processo de escolha das músicas?
Aíla: Nesse primeiro trabalho, reuni composições que tivessem a ver com esse meu início de trajetória como intérprete. Recebi inúmeras músicas, de grandes compositores, como Jorge Andrade, Eliakin Rufino, Renato Torres, Antônio Novaes, entre outros. E assim fui adaptando o repertório ao conceito que eu buscava pro disco. E além das inéditas, resolvi regravar duas músicas que eu queria muito que estivessem nesse trabalho: "Garota", do saudoso Alípio Martins, e "Dona Maria", do mestre Pinduca, que é um clássico do carimbó, porém em uma roupagem totalmente nova do arranjo original.
SRLM: Você teve o cuidado de pensar em cada detalhe do novo disco. Quem você chamou para participar deste projeto?
Aíla: A produção musical do CD é assinada pelo Felipe Cordeiro, que é meu parceiro desde o início da minha carreira e também faz as guitarras do disco. A preparação e direção vocal do “Trelêlê” são do Felipe Abreu, que já trabalhou com nomes como Adriana Calcanhoto, Roberta Sá e Arnaldo Antunes. Na banda que gravou o disco contei com a participação do baterista da Banda Strobo, Arthur Kunz, do tecladista Otto Ramos, da banda amapaense 'Mini Box Lunar' e do baixista Du Moreira, conhecido por acompanhar artistas como André Abujamra e Ceumar. Os arranjos de sopro são assinados do Mestre Manoel Cordeiro. Já conceito estético do disco é da artista visual Roberta Carvalho, que também é responsável pelo cenário multimídia dos Shows de lançamento do disco.
