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Belém em memória: o papel da UFPA na preservação do patrimônio

No Centro Histórico de Belém, o Convento dos Mercedários, que hoje pertence à Universidade Federal do Pará (UFPA), guarda parte importante da memória da cidade e do Pará. Com origem no século XVII, o conjunto arquitetônico reúne diferentes capítulos da história da capital paraense e permanece como um dos símbolos do patrimônio histórico da região.

Em entrevista à LiV, o reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira, falou sobre a importância histórica, social, cultural e arquitetônica do espaço e destacou o papel da Universidade na preservação e na valorização desse patrimônio.

“O Convento dos Mercedários é uma obra extraordinária que inicia no século XVII, com a construção da igreja e a ideia de se construir o convento. É a obra mais importante de origem espanhola no Brasil. É uma obra estratégica e que não é só estética, mas o que representa para a história do Estado e, principalmente, da capital Belém do Pará”, aponta Gilmar Pereira.

Gilmar Pereira, reitor e professor da UFPA falou sobre a importância histórica, social, cultural e arquitetônica do Convento dos Mercedários. (Foto: Leonardo Lima)

História, ensino e preservação do patrimônio

Além de sua importância arquitetônica, o espaço também carrega diferentes capítulos da história de Belém. O prédio já funcionou como alfândega e abrigou estruturas ligadas à Receita Federal antes de ser destinado à Universidade Federal do Pará, há pouco mais de dez anos.

O prédio já funcionou como alfândega e abrigou estruturas ligadas à Receita Federal. (Foto: Leonardo Lima)

Para o reitor, a presença da UFPA no local representa uma oportunidade de aproximar a Universidade da sociedade e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação do patrimônio. A ocupação do espaço foi acompanhada pela criação de uma estrutura acadêmica relacionada diretamente à conservação, o Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (LACORE).

“O prédio foi doado para a Universidade Federal do Pará há pouco mais de 10 anos. Nós precisávamos ter uma justificativa acadêmica para estar aqui e aí nós criamos o curso de Conservação e Restauro que funciona aqui nesse prédio, no segundo andar, e esse laboratório, que é o LACORE é um laboratório de pesquisa que fundamenta-se fortemente no Centro Histórico de Belém. Então, há uma combinação forte entre o processo de ensino e o processo de prestação de serviços, sobretudo na área da cultura”, frisa.

A presença da Universidade no Mercedários também se estende a outras atividades. O espaço reúne parte da Editora da UFPA, uma livraria especializada, áreas destinadas à Escola de Música; a Galeria de Arte da UFPA (GAU), com exposição permanente; e um jardim localizado no centro do conjunto arquitetônico. A Universidade também prevê a instalação de um café para receber visitantes.

A ocupação foi pensada para preservar as características históricas do imóvel sem deixar de incorporar novas funções. “Uma coisa que, se você observar, é o esforço que a gente teve de combinar o moderno com o tradicional. Se você olhar a parte mais antiga, a gente fez todo o esforço para manter”, afirma o professor.


Patrimônio como espaço de diálogo

A proposta de preservação defendida pela Universidade está ligada também à ideia de tornar o patrimônio acessível à sociedade. Para o reitor, o papel da instituição vai além da produção acadêmica e inclui a criação de espaços onde o conhecimento possa ser compartilhado.

“Acreditamos que o que nós produzimos precisa ser comunicado para a sociedade. Nós somos um espaço de teorias, de construção de grandes teorias, mas nós também somos um espaço de prática”, afirma.

Nesse sentido, o Convento dos Mercedários passa a funcionar não apenas como um patrimônio preservado, mas como um espaço de ensino, pesquisa, cultura e visitação. A atuação da UFPA busca manter viva a história do edifício enquanto amplia suas possibilidades de uso pela população.

Ao assumir a gestão de um dos edifícios históricos de Belém, a Universidade também amplia sua participação nas discussões sobre preservação da memória e do patrimônio cultural da região. Para Gilmar Pereira, essa é uma responsabilidade que acompanha a própria função pública da instituição.

“Se você observar o que nós temos de patrimônio, o que nós temos de estrutura, a gente lida com toda a sociedade e quer lidar com toda a sociedade. Toda vez que nós somos chamados para contribuir para o desenvolvimento da nossa região, do Estado e do próprio país, a gente está sempre pronto e tem feito isso com muito prazer”, conclui Gilmar Pereira.