O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) passa por uma importante mudança em sua liderança corporativa e governança. Flávia Almeida, que atuava como vice-presidente da instituição, assume a presidência do MASP a partir de setembro. Ela sucede Heitor Martins, que deixa o cargo executivo após 12 anos para presidir o Conselho Deliberativo do museu. Na nova estrutura organizagional, Marcelo Hallack passa a ocupar a vice-presidência do conselho. O MASP é amplamente reconhecido como o museu de arte mais importante do Hemisfério Sul. Ele abriga a coleção de arte europeia mais significativa dessa região, além de contar com mais de 11 mil obras que incluem peças de várias épocas e culturas.
Quem é Flávia Almeida, a nova presidente do MASP?
Graduada em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e com MBA pela Universidade de Harvard, Flávia Almeida possui uma trajetória consolidada no setor corporativo. Sua carreira inclui:
- McKinsey & Company: Ingressou como trainee em 1989 e tornou-se, em 2003, a primeira mulher sócia da consultoria na América do Sul (mesma firma da qual Heitor Martins é sócio).
- Gestão e Family Offices: Presidiu a Participações Morro Vermelho (holding da família Camargo Corrêa) e liderou a Península Participações, family office da família de Abilio Diniz.
- Atuação em Conselhos: Acumulou assentos nos conselhos de administração de mais de 20 grandes empresas de capital aberto e fechado.
- Setor Cultural: Foi diretora da Fundação Bienal (onde atua como conselheira) e presidiu o conselho do Instituto Tomie Ohtake.
O balanço da gestão Heitor Martins e a transformação financeira do museu
Flávia Almeida assume o MASP em um cenário significativamente mais estável do que o encontrado por Heitor Martins em 2014. Na época, a instituição enfrentava uma severa crise, acumulando cerca de R$ 75 milhões em dívidas, problemas de infraestrutura básica — como cortes de energia elétrica — e episódios de roubos de obras do acervo, posteriormente recuperadas.
Ao longo de 12 anos, a gestão de Martins injetou aproximadamente R$ 1, 5 bilhão na instituição. Entre os principais marcos financeiros e estruturais estão:
Veja mais
- Leal Moreira e MMI Incorporações entregam primeiro empreendimento em São Paulo e consolidam expansão nacional
- Casas-museu para visitar pelo Brasil: conheça 14 espaços onde arquitetura e história se encontram
- Redefinição do mercado de arte: Busca por vanguarda dá lugar à preservação de riqueza na alta renda
- R$ 275 milhões captados com grandes empresários para a construção do Pietro Maria Bardi, o novo prédio anexo do museu.
- R$ 25 milhões investidos na aquisição do terreno atrás do edifício principal para futuras expansões.
- R$ 30 milhões mantidos em caixa como reserva própria de capital.
Desafios de governança e clima institucional
Apesar do expressivo saneamento financeiro e da expansão física, a gestão recente também enfrentou momentos de tensão. A forte centralização do poder e a rede de financiamento articulada ao longo dos anos geraram atritos internos no museu.
Meses após a inauguração do novo anexo, a instituição registrou uma onda de demissões na alta liderança. O episódio trouxe a público debates sobre os limites da personalização do comando e os desafios de governança corporativa em instituições culturais de grande porte.
Veja mais
