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Games, anime e música: como o entretenimento virou o ‘novo rádio’ para descobrir artistas e novas canções

A próxima música que vai entrar para a sua playlist talvez não seja descoberta no streaming, na rádio ou nas redes sociais. Ela pode surgir durante uma partida, na abertura de um anime ou até dentro de um show virtual.

Games e animações vêm se consolidando como novos espaços de descoberta musical, transformando trilhas sonoras, personagens e experiências digitais em pontes entre artistas e públicos. A análise é da especialista em marketing musical Giovana Mossi, CEO da Somma Media, em artigo publicado pelo site Terra.

A lógica é diferente da tradicional

Nesses universos, a música não interrompe a experiência, mas faz parte dela. Uma canção pode estar associada a uma narrativa, a um personagem ou a um momento marcante de um jogo, criando uma conexão emocional que torna a descoberta mais natural.

O encontro entre música e games ganhou dimensão global nos últimos anos. Em 2020, o show virtual de Travis Scott no Fortnite reuniu 12,3 milhões de jogadores simultaneamente. Desde então, nomes como Metallica, Lady Gaga, Billie Eilish e Snoop Dogg também passaram a ocupar espaços dentro dos jogos.

Nos animes, o movimento segue uma lógica semelhante. A músicaIdol”, do duo japonês YOASOBI e tema de abertura de Oshi no Ko, alcançou bilhões de streams globalmente e chegou à Billboard Global 200, ampliando seu alcance para além do público que já acompanhava o artista.

Um público que cresce no Brasil

O Brasil oferece um cenário especialmente favorável para esse cruzamento entre diferentes formas de entretenimento. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, 75,3% dos entrevistados jogam games digitalmente, enquanto 37,2% afirmam ter começado uma franquia depois de assistir a uma adaptação. O país também reúne mais de 100 milhões de jogadores regulares.

Os animes têm força semelhante. O Brasil é o segundo maior mercado global da Crunchyroll, e 54% da Geração Z brasileira se identifica com esse universo.

Na internet, essas referências ainda ganham novas combinações. Funk, forró e sertanejo aparecem em vídeos e edits inspirados em animes, aproximando gêneros musicais de públicos que talvez não os buscassem espontaneamente.

Para artistas e gravadoras, games e animes deixam de ser apenas nichos e passam a representar comunidades altamente engajadas. Mais do que inserir uma música em determinado universo, o desafio está em entender quais histórias, personagens e experiências podem criar conexões genuínas com o público.