Representar seu país é o sonho de muitos atletas em diferentes modalidades. No basquete em cadeira de rodas, a paraense Vileide Almeida conhece bem esse sentimento. Depois de anos defendendo a Seleção Brasileira e acumulando medalhas nacionais e internacionais, ela continua vivendo cada convocação com a mesma emoção.
Hoje, Vivi Almeida, como é conhecida, é uma das referências da modalidade no Brasil. Mas o caminho até a Seleção Brasileira começou muito antes das competições e dos pódios.
“Representar o nosso país é sempre um momento único, sempre vai dar aquele frio na barriga, é algo que realmente nos motiva a estar ali buscando. A gente sabe o quanto é difícil chegar lá, são vários dias de treinamento, dias de incerteza sem saber se realmente vai dar certo. A gente sabe o quanto é difícil ser atleta de alto rendimento, por isso, cada competição é única para mim”, conta Vileide.

Uma nova vida sobre rodas
A história de Vivi Almeida começou a mudar aos 15 anos, quando um amigo a convidou para conhecer o All Star Rodas Pará, uma das equipes mais tradicionais do basquete em cadeira de rodas no Brasil.
“Fiquei deficiente aos 11 anos de idade, ocasionado por uma picada de cobra. No início, quando conheci o esporte foi um choque porque era um mundo que eu desconhecia até então. Foi um início bem difícil e é algo que eu realmente fico muito emocionada ao falar porque eu nunca imaginei viver nada do que eu vivo hoje em relação ao esporte”, relembra.
Fundado há mais de duas décadas pelo treinador Wilson Cajú, o projeto utiliza o esporte como ferramenta de inclusão, desenvolvimento e transformação social. Foi ali que Vivi descobriu um novo propósito e iniciou uma trajetória que a levaria à Seleção Brasileira, assim como outros paratletas que hoje representam o Pará e o país em competições nacionais e internacionais.
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“O Clube All Star Rodas tem uma importância muito grande porque nele foi o início de tudo. Falo por mim, fui uma atleta que chegou e não sabia nem o que era esporte de alto rendimento, muito menos que eu poderia um dia fazer parte. O Caju, nosso treinador, tem um trabalho incrível que é fazer a gente virar essa chave e acreditar que a gente é capaz”, afirma Vileide.
As conquistas internacionais são resultado de uma rotina intensa de treinamentos e preparação. A medalha de ouro conquistada recentemente pela Seleção Brasileira é apenas um dos capítulos de uma carreira construída ao longo de mais de uma década.
Um projeto que transforma vidas
Por trás da formação de atletas como Vivi está o trabalho desenvolvido há mais de duas décadas pelo treinador Wilson Caju, fundador do All Star Rodas. Atualmente, o projeto atende cerca de 70 atletas, distribuídos em quatro equipes de basquete em cadeira de rodas, além de acolher pessoas que buscam no esporte uma ferramenta de inclusão, autonomia e qualidade de vida.

Ao longo desses 24 anos, o All Star Rodas ajudou a revelar paratletas que hoje representam o Pará e o Brasil em competições nacionais e internacionais. Para Caju, o maior resultado do projeto vai muito além das medalhas.
"A filosofia do All Star Rodas é mostrar que a pessoa com deficiência não é um problema da sociedade. Ela faz parte da sociedade, precisa lutar pelo seu espaço e nunca dizer 'eu não consigo'. A gente mostra que ela pode estar em qualquer lugar”, ressalta.
De acordo com o treinador, o esporte também tem um papel importante na quebra de preconceitos e na construção da autonomia das pessoas com deficiência. Para ele, quando um atleta conquista espaço na universidade, no mercado de trabalho ou passa a ser reconhecido pelo desempenho nas quadras, ajuda a transformar a forma como a sociedade enxerga a deficiência.
"Quando você consegue colocar uma pessoa com deficiência na universidade, no mercado de trabalho ou respeitada como atleta, você mostra que ela é capaz de tudo, desde que tenha oportunidade”, destaca Wilson.

