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Festival Lambateria celebra 10 anos e os 50 anos da lambada com edição especial em Belém

Uma década de Lambateria e meio século de lambada serão celebrados no mesmo palco em Belém. O Festival Lambateria 2026 será realizado no dia 9 de outubro, tradicional sexta-feira que antecede o Círio de Nazaré, com uma programação que reúne artistas de diferentes gerações da música amazônica, paraense e latino-americana.

Félix Robatto, Rossy War, Lia Sophia, Adilson Ramos, Companhia do Calypso e Warilou estão entre as principais atrações anunciadas para esta edição. A programação inclui ainda Bruno Benitez, Fernando Belém, Batucada Misteriosa, Toró Açu, Jeff Moraes, Mega Príncipe Negro, Naré, DJ Zek Picoteiro e DJ Estamyna.


Félix Lobatto e Lia Sophia estão entre as principais atrações do festival. (Foto: Bruno Cachesti)

A proposta da edição comemorativa é justamente aproximar artistas que ajudaram a construir a trajetória da festa de nomes que ainda não passaram pelo festival e de representantes de uma nova geração da música produzida na região.

“Para comemorar esses 10 anos de Lambateria, pensamos em trazer artistas que fazem parte dessa história e são grande influência para o que a gente faz, mas também artistas que ouvimos demais nas nossas festas e que nunca tinham tocado aqui, caso do Adilson Ramos e Companhia do Calypso. Também abrimos o palco para artistas que estão despontando na cena com trabalhos novos”, explica Sonia Ferro, diretora artística do Festival.

Conhecido também como “A Festa do Círio”, o Festival Lambateria retorna ao NaBêra e mantém a proposta de reunir sonoridades que atravessam a história dos bailes da região. Lambada, guitarrada, merengue, cumbia, carimbó, brega e tecnobrega fazem parte dessa mistura que acompanha a festa desde sua criação.

Lambateria completa 50 anos

Uma das principais comemorações desta edição será dedicada aos 50 anos da lambada. O marco adotado pelo festival remonta a 1976, quando Pinduca lançou a faixa Lambada (Sambão)”, no LP No Embalo do Carimbó e Siriá Vol. 5, apontada pela organização como o primeiro registro a utilizar o nome “Lambada.

A celebração será comandada pelo guitarrista, pesquisador e produtor musical Félix Robatto, idealizador da Lambateria. O músico prepara um show especial com repertório formado por canções ligadas à trajetória da festa e à história da lambada.

Entre as participações estão Lia Sophia, presença recorrente na história da Lambateria, e a cantora peruana Rossy War, conhecida como Rainha da Tecnocumbia. A artista retorna ao festival depois de ter participado da edição de 2022, quando se apresentou pela primeira vez no Pará.

A cantora peruana Rossy War se tornou um ícone do brega para o público paraense (Foto: Divulgação)

“A Lia é uma grande parceira e incentivadora da Lambateria, sempre esteve presente na Lambateria, acho que foi uma das artistas que mais participou do Festival e não tem como ela não participar desse momento tão especial que é a celebração dos 10 anos da festa”, afirma Félix Robatto.

O músico também destaca a importância do retorno de Rossy War. “A presença da Rossy War no Festival em 2022 foi um marco: ela gravou uma música em parceria comigo e com o Bruno Benitez em homenagem a Belém e é uma artista que o pessoal sempre pede pra voltar.”

A banda paraense Warilou, outro nome ligado à trajetória da lambada, também retorna ao festival para a edição comemorativa.

Estreias e homenagem a Daniel Benitez

Ao lado dos reencontros, a programação terá artistas que sobem pela primeira vez ao palco da Lambateria. Um deles é Adilson Ramos, conhecido como “Rei da Seresta” e intérprete de músicas que atravessaram gerações nos tradicionais bailes da saudade, como “A Chuva me Lembrou Você”, “Fim de Festa” e “Até que Amanheça”.

Outra estreia será a Companhia do Calypso, banda criada em Belém no início dos anos 2000 e conhecida por sucessos como “Tchic Bum”, “Se Mancol”, “Bang Bang” e “Zap Zum”. Atualmente, o grupo é comandado pelas cantoras paraenses Fênix Ribeiro e Paulinha Miranda.

O festival também fará uma homenagem ao músico uruguaio Daniel Benitez, que viveu no Pará e participou de projetos como Mundo Mambo e Warilou, contribuindo para as conexões entre sonoridades amazônicas e latino-americanas. A homenagem será comandada pelo filho do músico, Bruno Benitez, e terá participação especial de Fernando Belém.

Uruguaio Daniel Bernitez será homenageado no evento. (Foto: Divulgação)

“Este ano, também teremos uma homenagem ao músico uruguaio Daniel Benitez, que muito contribuiu com a latinidade da nossa música, sob o comando do seu filho, o Bruno Benitez, e participação especialíssima de Fernando Belém, com quem Daniel gravou”, destaca Sonia Ferro.

Novas gerações também ocupam o palco

Ao mesmo tempo em que revisita a história da Lambateria e da lambada, o festival abre espaço para artistas que apresentam novos trabalhos e diferentes leituras da música produzida na Amazônia.

De Icoaraci, o Batucada Misteriosa apresentará Até Quase Morrer, álbum lançado neste ano. Já o Toró Açu, formado no Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, leva ao festival o álbum Mandinga do meu Avô, trabalho relacionado às vivências e memórias do território quilombola.

Várias gerações se unem durante as noites do festival. (Foto: Bruno Cachesti)

O cantor e compositor paraense Jeff Moraes apresenta o novo EP Laje Tropical, gravado no Pupuña Estúdio, enquanto Naré, representante de uma nova geração do brega paraense, participa da apresentação da aparelhagem Mega Príncipe Negro.

Na discotecagem, DJ Zek Picoteiro, de Santarém, e DJ Estamyna, de Belém, comandam a pista. A programação também terá mais uma edição do Concurso de Dança Seu Godofredo, no qual duplas disputam uma premiação em dinheiro.

Uma década de Lambateria

A história da Lambateria começou em 16 de junho de 2016, com a primeira edição realizada no antigo Fiteiro, na Doca, em Belém. Idealizada por Félix Robatto, a festa nasceu com a proposta de valorizar e divulgar a cultura latino-amazônica-caribenha e recuperar a atmosfera dos bailes dançantes da região.

O projeto foi um desdobramento da Quintarrada, festa dedicada à guitarrada realizada entre 2014 e 2016. Ao longo dos últimos dez anos, a Lambateria recebeu nomes como Pinduca, Gaby Amarantos, Dona Onete e Lia Sophia e também serviu de palco para o lançamento de artistas como Vingadores do Brega e Zaynara.

Pinduca foi um dos grandes nomes da música paraense a estar no palco do festival. (Foto: Divulgação)

Nos últimos anos, o festival ampliou ainda as conexões com artistas de outros países latino-americanos e caribenhos. Rossy War participou em 2022; a banda Les Aiglons, de Guadalupe, esteve na edição de 2023; os peruanos Los Mirlos passaram pelo festival em 2024; e a banda argentina Mister Gato integrou a programação em 2025.

“Estamos muito felizes de anunciar que no ano em que completamos uma década de atividade teremos o Festival Lambateria no formato que a galera conhece, na sexta que antecede o Círio, com muita música amazônica”, afirma Sonia Ferro, diretora geral do festival.

Antes da edição comemorativa em Belém, a Lambateria também chegará a um dos maiores festivais de música do país. O show Lambateria com Félix Robatto está previsto para o dia 11 de setembro, no palco Global do Rock in Rio.

Serviço:

  • Festival Lambateria 2026
  • Data: 9 de outubro de 2026
  • Local: NaBêra, em Belém
  • Atrações: Félix Robatto, Lia Sophia, Rossy War, Adilson Ramos, Companhia do Calypso, Warilou, Bruno Benitez, Fernando Belém, Batucada Misteriosa, Toró Açu, Jeff Moraes, Mega Príncipe Negro, Naré, DJ Zek Picoteiro e DJ Estamyna.