Entre em Contato

Endereço

Ed. Metropolitan Tower - R. dos Mundurucus, 3100 - Cremação, Belém - PA

Telefone

+55 (91) 4005-6800
Carregando clima...
Carregando bolsa...
A roupa do som

Em sua definição, a música eletrônica é aquela que é criada ou modificada com o uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos, como sintetizadores, gravadores digitais, computadores ou softwares de composição cujos nomes nem adianta decorar porque todo ano são criados novos e mais avançados. A figura clássica do DJ como conhecemos hoje, de mero tocador de discos e espécie de celebridade sobre os palcos, tem sua origem intrinsecamente ligada à popularização da música eletrônica. Esse caminhar junto foi criando ramificações que tornam os maiores eventos do gênero em verdadeiros espetáculos. Nesse quesito se encaixa o perfil do amazonense Rodrigo Sabbá, um dos VJs mais concorridos da atualidade.

De Manaus apenas de nascimento e em Belém desde os 5 anos, aos 30 Rodrigo vive uma situação de puro reconhecimento profissional, tanto que suas performances já dão sinais de que estão ficando maiores que a noite da capital paraense. "Realmente não são muitos espaços que existem para tocar, mas ainda assim tem um público seleto e certo para todos os eventos", diz. Recentemente, ele assinou contrato para apresentar-se em uma boate que deve ser inaugurada ainda no fim do ano na cidade.

O VJ, no caso de Rodrigo, é uma atividade que tem uma linha tênue que o diferencia de um artista de audiovisual. Interado aos DJs nos shows, ele parte de imagens pré-produzidas que se encaixam com a música que rola na pista. "Tem que ter uma interação total, sentir a batida da música pra compor um só espetáculo", define.

Imagens sonoras

Rodrigo por muito pouco não passa dessa linha que delimita o VJ do artista audiovisual. Este segundo, numa definição simplória, passa por todo o processo de criação da música e das imagens. É o dono do produto. Por enquanto, ele tem se limitado ao papel de VJ como um complemento da música. Não se sabe até quando. "Tenho músicas minhas, sets de imagens que casam com elas, mas por enquanto são coisas minhas, exercícios. Seria outro tipo de trabalho que é algo que penso pra o futuro".

Esse lado autoral para o audiovisual já teve, no entanto, um produto de relevo. O documentário "De Belém a Budapeste", feito ano passado com imagens de sua viagem a Hungria para um evento mundial de VJs – depois de conseguir qualificar-se numa "batalha" de VJs em São Paulo –, pode passar dos limites dos conhecedores de música eletrônica. Rodrigo tem se debruçado sobre ele nos últimos meses para editá-lo dos atuais doze minutos para cinco. O objetivo é inscrevê-lo no Salão Arte Pará.

"Todo mundo que viu gostou, disse que levo jeito. Eu também gostei. Será interessante colocá-lo diante de pessoas que têm mais ligações ao audiovisual", avalia. São quase 15 anos desde a primeira experiência atrás das câmeras. Ainda no colégio costumava apresentar os trabalhos escolares dessa forma, filmando as atividades. "Na maioria das vezes deu certo", lembra rindo Rodrigo, que depois ainda teve experiências nos anos 1990 com a febre dos patins em Belém – grupos como Winkings, Cowboys, Falcons, lembram? Ele também fazia clipes. Há dez anos participou de um curso de edição e efeitos especiais ministrado por Mauro Melo e Davi Meleskani. Em seguida, vieram estágios e os primeiros trabalhos, quando teve os primeiros contatos com câmeras e programas de edição de imagens.

Terror nas festas

Esses "experimentos" desde a adolescência criaram o germe de um artista autodidata. A curiosidade o levou a buscar conhecimento até se ver como VJ. O curso de Engenharia da Computação não resistiu ao segundo semestre, substituído por especializações em videoarte, edição e muita experiência profissional em agências e produtoras de Belém. Atualmente trabalha na rádio Jovem Pan também como VJ – "Sou o primeiro VJ reconhecido trabalhando em rádio", brinca –, além de trabalhar com videoarte em eventos de grandes emissoras de TV e lançamentos de produtos de todos os tipos.

"Terror" é um dos apelidos com que Rodrigo é chamado pelos frequentadores das festas em que dá as caras. Nem tanto a cara, é verdade. De uns anos para cá, adotou uma máscara de paintball adaptada com óculos especiais com visores que lhe dão uma vista privilegiada dos seus monitores. O apelido, oriundo da performance, talvez venha também do visual radical futurista. "O pessoal me chama assim. Algumas pessoas, não todas. É legal, deixa rolar".

Rodrigo é um dos artistas convidados para os espaços da Leal Moreira na Casa Cor, maior evento de arquitetura, decoração e paisagismo das Américas, que começa neste mês. Ele fará uma performance para os visitantes da mostra. O conteúdo? Ainda é surpresa.

Arsenal tecnológico

O material de trabalho de Rodrigo Sabbá é composto por tanto equipamento que há dois anos foi obrigado a vender o automóvel para melhor municiar-se. Equipamentos fáceis de um computador Mac Pro, com 160GB mais HD externo de 250GB; um DVJ Controlador Numark; iluminação de leds RGB; um teclado Korg Midi para tocar e montar os acordes com imagens; mais um PC e outras coisas que para a maioria das pessoas é lista de filme de ficção científica.

No palco é que ele se solta. "Às vezes me sinto como um Axl Rose dos VJs (risos). Para mim o trabalho que tenho de fazer é o de um showman. Tem muita gente entre DJs e VJs que torce o nariz, mas é como gosto de me apresentar", contemporiza. Essa "torcida de nariz" acaba sendo inevitável quando se pensa que dificilmente não há uma disputa por atenção entre música e imagem nas apresentações.

Para o futuro, Rodrigo pensa em alçar voos mais altos, seja como VJ ou videoartista. Estudo e aprimoramento passam por esse processo. Por mais que o seu meio esteja espalhado pelos quatro cantos do globo, ainda é a Europa a meca do audiovisual. "Todos os trabalhos de vanguarda mais importantes ainda estão por lá. É algo em que penso seriamente", admite. Esse pensamento é passar uma temporada no Velho Mundo. Por enquanto é mais um sonho do que um projeto firmado, mas algo que ele leva muito a sério.

"Não tenho nada planejado ainda. Não posso dizer que daqui a um, dois ou seis meses vou viajar, mas é algo que tenho como certeza que vai acontecer. Espero que já ano que vem possa começar a tocar esse projeto", adianta. Tudo isso passa pela relação que tem com a família. João Rodrigo Silva de Oliveira adotou o nome artístico de Sabbá em homenagem à mãe adotiva, Maria Sebastiana, que o trouxe a Belém sem nunca poder imaginar os caminhos que o filho do coração trilharia.

  • Tags:
  • 0