A mente quieta, a espinha ereta, o coração tranquilo. O refrão é da canção de Walter Franco, que perpassa os anos incólume, gravada no Brasil no fim da década de 1970. No mesmo período, em consonância, um dançarino romeno, Juliu Horvath, chamava a atenção no Houston Ballet, nos Estados Unidos, ao lado de estrelas internacionais como Jacques d’Ambroise e Melissa Hayden. Lugares e trajetórias opostas, sim, mas que no fim “tocam”, pelas mãos da música, a mesma meta – afinar um instrumento.
Juliu Horvath, ginasta, iogue e ex-bailarino de descendência húngaro-alemã, nasceu em Temesvar, Romênia. Um homem que, a vida inteira, dedicou-se ao estudo da relação corpo x mente, por meio da música, do esporte e de técnicas como Acupuntura e Tai chi chuan. Para ele, o corpo humano também é um instrumento que precisa ser “trabalhado, refinado, percebido”. Aliando força, alongamento e consciência corporal, Horvath desenvolveu o Gyrotonic – método que trabalha a flexibilidade, o condicionamento físico e auxilia o bom funcionamento do organismo.
Em workshop ministrado em Belém, em maio de 2011, Horvath sentenciou que é possível se mover de dois modos – fazendo uso da inteligência ou, simplesmente, se movendo, a ação pela ação. O perigo desse caso, segundo ele, está relacionado ao autoconhecimento.
“Os movimentos representam a energia que circula em nosso corpo. É preciso trabalhá-los a fim de ativar nosso campo energético”, advertiu.
Dessa maneira, o método do Gyrotonic consiste em mover – lê-se exercitar – o corpo com leveza, ritmo e autocontrole. Para tanto, Horvath desenvolveu uma máquina chamada Gyrotonic Expansion System, com pesos, roldanas e rodas giratórias, que oferece uma ampla variedade de exercícios. O aparelho desenvolve a flexibilidade e a mobilidade da coluna, além de estimular os sistemas circulatório, neural, orgânico e glandular. Sem a máquina, porém, também é possível praticar o exercício, em atividade denominada Gyrokinesis, realizada diretamente no solo.
De acordo com Juliu Horvath, o Gyrotonic é a representação de algo que ele experimentou energeticamente na juventude, ao interpretar as sensações do próprio corpo. “Coloquei em prática todos os movimentos para poder formar a metodologia”, contou o romeno, que também estudou os elementos da natureza e a movimentação dos animais. “Não digo que descobri, mas vivi”, explicou.
Nesse sentido, Horvath defende a ideia de que a ciência é tardia. “Independente do que já é sabido, há coisas que você sente e, apesar de indefinidas, estão ali, ao seu alcance, não interessa o nome que você dê”, garantiu.
Sem contraindicações, o Gyrotonic pode ser praticado por pessoas de qualquer idade, da infância à melhor idade, e gestantes (auxiliando o restabelecimento pós-parto). A ausência de restrições se dá porque o programa é personalizado, com uma rotina de atividades que se adapta a cada caso/aluno. De acordo com o site oficial do método no Brasil - www.gyrotonicbrasil.com, o Gyrotonic e o Gyrokinesis também fortalecem o sistema imunológico e combatem o déficit de concentração e outros sintomas do stress.
Para Juliu Horvath, dedicação é imprescindível e “você precisa esvaziar o corpo, gerar e receber a energia”. Sereno e com um quê de misticismo, ele se classifica como um ser humano sempre em busca de respostas. “Nós somos constantemente bombardeados por informações externas (...) e o corpo precisa estar preparado para filtrar isso. Quando você libera o pensamento, as respostas vêm”, complementou.
Gyrotonic na Amazônia

Atualmente, o Gyrotonic é uma prática difundida em algumas das maiores cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Florianópolis. Porém, o primeiro estúdio especializado no método foi aberto em Belém. Por trás dessa iniciativa, está a bailarina e coreógrafa Ana Unger, entusiasta do trabalho de Juliu Horvath na Amazônia.
“Conheci o Gyrotonic em 1993, numa viagem aos Estados Unidos”, conta a empresária, que dirige o Centro de Dança e Fitness Ana Unger. Na época, ela estava no auge da carreira de bailarina, porém sentia fortes dores no corpo, devido à rotina atribulada de exercícios e apresentações. “Descobri que tinha les
ões no joelho, na região lombar, nos ombros, e os médicos me condenaram a parar de dançar”, recorda. A solução, entretanto, veio durante um ensaio no American Ballet Theatre, em Nova York. “Saí da sala chorando, com muita dor, e uma colega me indicou a procurar o White Cloud Studios, onde àquela altura se estabelecia o Gyrotonic. Foi assim que melhorei”, lembra.
A bailarina salienta que o método não curou as lesões que sofreu, mas protegeu o corpo e as estagnou. “Voltei a dançar e me aperfeiçoei, percebi que tinha mais equilíbrio, força, condicionamento físico”, conta. A fim de beneficiar outras pessoas, Ana Unger começou, então, um trabalho de divulgação do Gyrotonic e Gyrokinesis entre professores de educação física, chegando a levar grupos para treinamento nos Estados Unidos. Desenhava-se aí o Centro Gyrotonic Belém.
Com o know-how de quem pratica e estuda, Ana Unger enfatiza a singularidade do método. “Ele trouxe o conhecimento milenar do Oriente para o Ocidente de uma maneira sagaz e abrangente, e que se adapta a qualquer rotina”, diz a profissional, referindo-se àquelas pessoas que não dispõem de tempo para praticar longas sessões de meditação ou Ioga. “Em vinte anos de estudos voltados ao condicionamento físico, percebo que não há técnica mais inteligente. Quem me conhece de perto sabe o quanto sou apaixonada. Recomendo com toda certeza”, orgulha-se.
