(talvez) Um dia tu dirás que me ama. Vou esperar... Mesmo que este dia esteja longe. Vou esperar tu encostares em meu peito para dormir, da mesma forma como eu me aconchego nos teus abraços... Sentindo-te como ninho, cama. Enlaçando-te fortemente com braços nus e sentindo-te contra mim: quente e macio. Vou esperar!
Vou esperar quietinho um dia tu me admirares, como eu admiro os passos de tua dança. Vou esperar tu encontrares nos meus lábios a suavidade que encontro nos teus, ao mesmo tempo em que nossos cílios se tocam. Piscam. E nossos olhos se enxergam tão de perto... Pretos.
Vou esperar cada abraço teu... Cada boa noite antes de dormir, como se essa fosse minha prece, meu caminho para o céu, minha salvação!
Vou esperar pacientemente o meu corpo se encontrar ao teu. Um dia, quem sabe? Belamente... Completamente... Ser apenas um. Esperar o amor surgir nos teus olhos grandes e negros, vou esperar que me olhes cada vez como uma primeira vez... Apaixonando-te de novo... De novo... De novo...
E no futuro, vou esperar tuas rugas refletirem as minhas; tuas esperanças se tornarem minhas expectativas e meus sonhos virarem teu maior empenho. Espero tua face corar a cada felicidade nossa e tua mão tentar conter as lágrimas nas inevitáveis tristezas.
Espero caminhar. Caminhar de mãos dadas... Unidas... Úmidas... Suadas... Quero te ver temendo o futuro e entender por que não róis as unhas. Vou esperar...
Esperar ao teu lado... Esperar pelo grande dia que tu dirás “eu te amo”. E eu direi o mesmo.
Então o mundo poderá acabar. O rio salgar e morrer todos os peixes, o sol apagar. A noite ser eterna, e a existência humana se findar. Porque nós dois teremos um universo à parte. Girando... Girando... Um cata-vento... Uma eternidade...
Um homem para amar intensamente. Um amor verdadeiro... INTEIRO.
Saulo Sisnando escrevendo como
Maria Eduarda
