Entre madeira, couro, tecidos e formas que exploram novas maneiras de sentar, o design brasileiro consegue transformar referências do cotidiano em peças que atravessam o tempo. Nomes de diferentes gerações ajudaram a construir uma identidade própria para o mobiliário nacional e é esse repertório que aparece na seleção da loja de decoração Chris Home.
A curadoria da loja reúne criações históricas e contemporâneas e mostra como diferentes períodos, materiais e processos podem dialogar dentro de uma mesma proposta. Entre os destaques estão trabalhos de Sergio Rodrigues, Guilherme Wentz, Fernando Mendes e José Zanine Caldas, com móveis que vão de clássicos criados a partir dos anos 1950 até criações recentes.
O legado de Sergio Rodrigues
Um dos principais nomes do design brasileiro, Sergio Rodrigues aparece na seleção com três peças que evidenciam diferentes momentos de sua trajetória: as poltronas Benjamin, Carmel e Vivi.
Criada em 2014, a Poltrona Benjamin foi a última criação de Sergio Rodrigues e se destaca pela estrutura esculpida em madeira freijó, combinada às almofadas com acabamento capitonê. O desenho sintetiza uma das características mais reconhecíveis do trabalho do designer: a valorização da madeira e do conforto sem abrir mão de uma presença escultórica.

Já a Poltrona Carmel foi criada em 1966 para a primeira loja internacional de Sergio Rodrigues, na Califórnia. Batizada em homenagem à cidade de Carmel, a peça ganhou uma nova edição no Brasil em 2024. Seu elemento mais característico é o encosto de cabeça cilíndrico em couro, preso por tiras do mesmo material, detalhe que reforça a personalidade do desenho.

De 1962, a Poltrona Vivi também conhecida como Cama de Gato, nasceu como uma homenagem à carioca Vivi Nabuco. A estrutura arredondada traduz o lado mais lúdico de Sergio Rodrigues, que costumava explorar formas inusitadas em suas criações. Descontraída e confortável, a peça ainda revela uma faceta afetiva do designer, conhecido por seu amor pelos animais. O conjunto é acompanhado por uma banqueta coordenada.

Quem é Sergio Rodrigues?
Considerado um dos grandes nomes do design brasileiro, Sergio Rodrigues transformou referências da cultura e do cotidiano do país em móveis de forte identidade, marcados pela valorização da madeira, pelo conforto e por formas que combinam funcionalidade e irreverência. Ao longo de mais de cinco décadas de trajetória, criou peças que se tornaram ícones do mobiliário nacional e ajudaram a projetar o design brasileiro internacionalmente.
Formas contemporâneas
Se Sergio Rodrigues representa uma parte fundamental da história do mobiliário brasileiro, Guilherme Wentz mostra como essa linguagem pode ganhar novas interpretações.
Criado em 2021, o Sofá Dobra parte de um gesto simples: a ideia de dobrar um material macio. O resultado é uma peça modular, formada por cinco variações de módulos que permitem diferentes composições. A estrutura combina madeira, precintas elásticas e espuma hipersoft, enquanto o revestimento exclusivo WE-KNIT®, produzido com PET reciclado e elastano, acrescenta uma dimensão tátil ao desenho.
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Na Poltrona Tubo de 2023, a proposta se torna ainda mais fluida. Desenvolvida para uma experiência de sentar mais casual e macia, a peça utiliza tubos generosos de espuma em um desenho contínuo e sinuoso. O revestimento WE-KNIT®, produzido em formato tubular e sem costuras, reforça a continuidade visual da criação e combina PET reciclado à lã natural.

Entre memória e funcionalidade
A seleção também apresenta trabalhos que partem de referências históricas e soluções funcionais. A Espreguiçadeira Luiza assinada por Fernando Mendes foi criada para sua amiga e vizinha Luiza Jacobsen. O desenho tem inspiração nos aviões da década de 1940, especialmente nas rodas traseiras, que aparecem reinterpretadas na estrutura e facilitam a movimentação do móvel.

Produzida em madeira maciça, com opções de freijó ou catuaba, a peça possui três possibilidades de angulação do encosto e combina estofamento, futon e um pufe coordenado. A proposta equilibra conforto e mobilidade e se adapta especialmente a varandas cobertas e áreas de lazer.
Outro nome importante do design brasileiro presente na seleção é José Zanine Caldas, autor da Poltrona Zanine N. Criada originalmente em 1954, a peça de linhas retas foi divulgada em revistas internacionais durante a década de 1950 e carrega o traço característico do arquiteto e designer.
Os braços geométricos em madeira maciça contrastam com o estofado de linhas limpas. De dimensões reduzidas, como era comum em peças do período, a poltrona foi reeditada em 2009, mantendo a força de um desenho que permanece atual décadas depois de sua criação.

Mais do que reunir peças de diferentes épocas, a seleção evidencia como o design brasileiro pode transitar entre memória, experimentação, conforto e inovação. Na Chris Home, esses trabalhos colocam lado a lado diferentes interpretações sobre a casa e sobre a maneira como objetos podem ocupar os espaços com identidade, função e permanência.
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